OLIMPÍADA DE TÓQUIO-2020

A tocha brilhará em Tóquio, apesar da covid-19

Desde 1º de julho, o comitê organizador de Tóquio-2020 registrou 55 casos positivos, incluindo dois primeiros atletas residentes na Vila Olímpica no domingo

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Publicado em 19/07/2021 às 14:00
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Os Jogos de Tóquio começam nesta sexta-feira (23) - FOTO: CHARLY TRIBALLEAU / AFP
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Depois de cambalear e até quase se extinguir devido à pandemia de coronavírus, a tocha olímpica finalmente brilhará em Tóquio e em seus estádios com um ano de atraso, a partir de 23 de julho, para duas semanas de competições esportivas sob a ameaça da covid-19.

É talvez a contagem diária mais importante e esperada dos Jogos Olímpicos de Tóquio (23 de julho-8 de agosto), primeiro evento mundial organizado desde o começo da pandemia.

Mais do que o quadro de medalhas, o mundo inteiro - principalmente o Japão, cuja população é desde o início hostil a esses 'Jogos da pandemia' - vai sondar os números diários de casos de covid-19 entre os atletas, voluntários e outros participantes das Olimpíadas.

Desde 1º de julho, o comitê organizador de Tóquio-2020 registrou 55 casos positivos, incluindo dois primeiros atletas residentes na Vila Olímpica no domingo.

Para tranquilizar a opinião pública, que preferia em sua grande maioria um novo adiamento ou o cancelamento dos Jogos, as autoridades japonesas tomaram medidas drásticas: testes diários para os atletas, uso de máscara obrigatório para todos, reuniões limitadas ao mínimo na Vila Olímpica, proibição aos familiares dos atletas estrangeiros de irem ao Japão e, por último, nunca antes visto na história das Olimpíadas: ausência quase total de público.

Os Jogos de Tóquio, adiados por um ano em 20 de março de 2020 - outra medida inédita na história olímpica - serão realizados sem espectadores.

Mais de 15 bilhões de dólares

Depois de gastar 13 bilhões de euros (15,34 bilhões de dólares), incluindo um custo adicional de 2,3 bilhões de euros (2,7 bilhões de dólares) devido ao adiamento e às medidas contra o vírus, Tóquio está pronta: "A cidade melhor preparada de todos os tempos para os Jogos Olímpicos", afirmou o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach.

No entanto, a cidade de 14 milhões de habitantes está submetida a um estado de emergência sanitária durante todo o período dos Jogos Olímpicos, que obriga bares e restaurantes a fecharem às 20h00.

Estamos longe do entusiasmo exuberante despertado pela designação da capital japonesa como cidade anfitriã dos XXXII Jogos da História Moderna, em 8 de setembro de 2013. Nesse dia, os apresentadores de televisão choraram ao anunciar a notícia, enquanto o país comemorava.

O Japão estava se recuperando da tripla catástrofe de 11 de março de 2011 (terremoto, tsunami, acidente nuclear de Fukushima), que deixou cerca de 18.500 mortos. As Olimpíadas foram imediatamente apelidadas de 'Jogos da reconstrução'.

Mas isso foi antes da covid, que mudaria profundamente o planeta e causaria cerca de 15.000 mortes no Japão.

A pandemia não foi o único motivo de dores de cabeça e questionamentos para os organizadores, que enfrentaram vários escândalos, como o que levou o presidente do comitê organizador, Yoshiro Mori, a renunciar em fevereiro por declarações sexistas.

No mundo esportivo, essas Olimpíadas já são históricas. Pela primeira vez, haverá tantas mulheres quanto homens que participarão nas 339 provas do torneio, em nome da igualdade de gênero exigida por Thomas Bach, que também impulsionou a inclusão dos esportes "jovens e urbanos", como o skate, o surfe, o basquete 3x3 e a escalada.

'Golden Slam' para Djokovic?

Entre os 11.090 atletas inscritos em Tóquio, não há um ícone esportivo de dimensão planetária. Usain Bolt se retirou das pistas de atletismo, a superestrela do NBA, LeBron James, não quis participar e as estrelas do futebol, como Neymar, Lionel Messi e Kylian Mpabbé, não foram liberadas pelos seus clubes.

Entretanto, o indiscutível líder do tênis mundial, Novak Djokovic, estará presente, podendo adicionar o título olímpico aos títulos deste ano no Aberto da Austrália, Roland Garros e Wimbledon, chegando mais perto do 'Golden Slam': formado por todos os grandes títulos em um ano olímpico, conquista alcançada unicamente pela alemã Steffi Graf em 1988.

Outros grandes jogadores do tênis mundial atual, lesionados (Roger Federer) ou por decisão pessoal (Rafael Nadal, Serena Williams), não estarão no evento de Tóquio.

Outro dos heróis desses Jogos Olímpicos poderia ser um gigante francês. No país do judô, no 'templo' do Nippon Budokan, Teddy Riner pode se tornar em 30 de julho, aos 32 anos, o primeiro tricampeão olímpico da história na categoria.

A menos que os nadadores americanos Caeleb Dressel e Katie Ledecky, com um programa sobrecarregado, consigam uma impressionante coleção de títulos e/ou medalhas, ou que sua compatriota Simone Biles se torne a melhor ginasta da história, superando as nove coroas olímpicas da soviética Larissa Latynina.

O tradicional momento culminante de todas as Olimpíadas, a final dos 100 metros masculino, programada para 1º de agosto, se apresenta incomumente indecisa.

Enquanto isso, os Jogos Olímpicos começarão na quarta-feira, 48 horas antes da cerimônia de abertura, com uma partida de softbol entre Japão e Austrália e mais de 2.870 dias depois que Tóquio recebeu a missão de organizar uns Jogos que estão, definitivamente, fora das normas.

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