COLUNA DO ESTADÃO

Governo Bolsonaro espera por mudanças silenciosas na Petrobras sob novo comando

Auxiliares de Bolsonaro têm a expectativa de que Caio Paes de Andrade assuma a presidência da Petrobras até o fim desta semana, dando início a uma estratégia silenciosa de controle dos preços dos combustíveis

Mariana Carneiro
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Mariana Carneiro
Publicado em 22/06/2022 às 7:00
Isac Nóbrega/PR
Objetivo do governo é fazer mudanças na política de preços sem alarde e sem prejudicar o discurso do presidente de pôr a culpa na Petrobras - FOTO: Isac Nóbrega/PR
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Auxiliares de Jair Bolsonaro têm a expectativa de que Caio Paes de Andrade assuma a presidência da Petrobras até o fim desta semana, dando início a uma estratégia silenciosa de controle dos preços dos combustíveis, o que ajudaria o presidente na sua campanha à reeleição. Embora líderes do Congresso tenham pedido uma Medida Provisória para mudar a Lei das Estatais imediatamente, na esperança de que apressasse o passo nessa direção, há resistência de técnicos do Ministério da Economia e da Casa Civil. O temor é de serem tachados de intervencionistas. O objetivo é fazer mudanças na política de preços sem alarde e sem prejudicar o discurso do presidente e de seus aliados de pôr a culpa na estatal.

CHAPÉU

Líderes do Centrão querem que a Petrobras assuma os custos do vale-gás e do voucher caminhoneiro. Nesse caso, não haveria a limitação do teto de gastos e, na visão dos políticos, serviria para a Petrobras melhorar a sua imagem.

QUEIMA

O discurso do ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, dizendo não ser possível mexer nos preços da Petrobras, foi um balde de água fria para deputados dispostos a quebrar a "independência excessiva" da estatal. Ontem, alguns diziam que isso indicava que o governo dá o assunto como "página virada" e que não viam razão para a demissão do antecessor Bento Albuquerque.

BLOCO

Governistas estão satisfeitos em compartilhar o confronto com a Petrobras com o Congresso, graças à iniciativa de Arthur Lira. Assim, Bolsonaro não aparece sozinho contra acionistas privados.

CANTO

Em conversas com investidores, Alexandre Padilha (PT-SP) tem usado a crise com a Petrobras para exemplificar que Bolsonaro age de forma imprevisível e gera insegurança e promete que, com Lula, será diferente.

4 LINHAS

O papel das Forças Armadas em um eventual governo de Lula foi incluído em um capítulo do plano de governo do petista intitulado "Defesa da Democracia", repleto de críticas à gestão de Bolsonaro, classificada como "autoritária". De acordo com o texto, Exército, Marinha e Aeronáutica deverão cumprir "estritamente o que está definido pela Constituição".

QUADRADO

Apesar do tom crítico, formuladores do documento admitem a presença de militares em cargos comissionados, desde que desempenhem "funções compatíveis com a sua formação".

PREFERÊNCIA

Caciques do Centrão decidiram atuar pela advogada Ana Blasi para a vaga do TRF4, considerado sensível pelo grupo por ter sido o tribunal da Lava Jato. O chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, Arthur Lira (PP), e Valdemar Costa Neto (PL), manifestaram a preferência a Jair Bolsonaro.

ADVOGADOS

Ciro e Lira defendem que Blasi tem perfil mais alinhado ao do presidente e que Bolsonaro deixaria um legado ao indicar uma mulher catarinense ao posto.

*COM JULIA LINDNER E GUSTAVO CÔRTES

PRONTO, FALEI!

José Medeiros

Deputado federal (PL-MT)

"Na Petrobras, quando dá lucro a gente se lasca. Quando não dá lucro, a gente se lasca mais ainda", disse, sobre possível intervenção do governo na estatal.

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