pandemia

Contra o coronavírus, ONU pede vacina acessível a todos

'Uma vacina contra a covid-19 deve ser vista como um bem público mundial, uma vacina para o povo', disse a ONU

AFP
AFP
Publicado em 04/06/2020 às 12:28
Notícia
NIKOLAY DOYCHINOV / AFP
"Uma vacina contra a covid-19 deve ser vista como um bem público mundial", disse a ONU - FOTO: NIKOLAY DOYCHINOV / AFP
Leitura:

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, pediu uma "vacina do povo" contra o coronavírus que, uma vez desenvolvida, deve estar disponível para todos no planeta, na abertura de uma reunião virtual internacional de arrecadação de fundos para a Aliança para a Vacina (GAVI).

"Uma vacina contra a covid-19 deve ser vista como um bem público mundial, uma vacina para o povo", afirmou o português em uma mensagem de vídeo, na qual destacou que muitos líderes mundiais se declararam a favor da ideia.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não participa da reunião ao vivo, enviou um discurso gravado.

"Como o coronavírus mostrou, ele não tem fronteiras, não discrimina", afirmou. "É ruim, é nojento, mas vamos lidar com isso juntos", acrescentou.

>> Equipe da Fiocruz trabalha em vacina brasileira para covid-19

>> Empresas contribuem para desenvolvimento de pesquisas contra coronavírus

>> Coronavírus: "Prever vacina para setembro é uma temeridade; é plausível para daqui a um ano", diz pesquisador

 

Com a participação de mais de 50 países e de cerca de 35 chefes de Estado e de Governo, esta cúpula busca arrecadar 7,4 bilhões de dólares (6,6 bilhões de euros) para que a GAVI possa continuar suas campanhas mundiais de vacinação contra doenças como sarampo, poliomielite, ou febre tifoide, interrompidas pela pandemia de covid-19.

Também visa a arrecadar US$ 2 bilhões para a produção e a distribuição nos países mais pobres de uma possível futura vacina contra o coronavírus. Desde que surgiu na China, em dezembro, a covid-19 já deixou 385.000 mortos em todo mundo.

 

Unir a humanidade

A cooperação mundial contra a pandemia também foi o desejo manifestado pelo anfitrião, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson: "Espero que esta cúpula seja o momento em que o mundo se junte para unir a humanidade na luta contra a doença".

"Peço que se juntem a nós no fortalecimento dessa aliança que salva vidas", insistiu Johnson, cujo país é o segundo mais afetado pelo coronavírus, com quase 40.000 mortes confirmadas.

Até agora, o Reino Unido é o maior colaborador da GAVI, com 1,65 bilhão de libras (2,08 bilhões de dólares) prometidos pelos próximos cinco anos.

Muitas empresas farmacêuticas estão dispostas a disponibilizar sua capacidade de produção assim que uma vacina for desenvolvida, disse o bilionário americano Bill Gates, cuja fundação é muito ativa nessa área.

Isso é essencial para garantir que tantas pessoas quanto possível tenham acesso à vacina, assim que for encontrada, disse o filantropo à BBC.

"Quando tivermos uma vacina, queremos desenvolver a imunidade coletiva" e, para isso, devemos garantir que ela seja administrada a "mais de 80% da população mundial", acrescentou, reconhecendo que os rumores e as teorias conspiratórias que correm nas redes sociais podem minar esse objetivo.

Poder monopolista

A cúpula da GAVI é realizada em um momento delicado, em que a pandemia exacerbou os ataques contra o multilateralismo, em meio à ruptura de Trump com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao medo de que os Estados Unidos assumam o controle sobre futuras vacinas.

"É de grande importância, e estamos conseguindo que haja consenso e apoio internacional em todo mundo para encontrar uma vacina e fornecê-la a todos os vulneráveis, porque ninguém estará seguro até que todos estejam", disse à AFP a ministra britânica do Desenvolvimento Internacional, Anne-Marie Trevelyan.

Anna Marriott, responsável pela área de saúde da organização não-governamental Oxfam, aplaudiu o estabelecimento de um novo fundo para ajudar os países em desenvolvimento a acessarem uma futura imunização contra a covid-19.

Em uma nota, ela enfatizou, porém, que "a GAVI e os governos que a financiam devem primeiro enfrentar o poder monopolista da indústria farmacêutica que impede a vacina para o povo".

"O dinheiro dos contribuintes deve ser investido em vacinas e tratamentos isentos de royalties e disponíveis para todas as nações a preço de custo", insistiu.

 

O jornalismo profissional precisa do seu suporte.

Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Comentários

Últimas notícias