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Trump alega possibilidade de fraude e sugere adiamento das eleições nos Estados Unidos

Trump teve de adiar seus grandes comícios, marcantes em sua campanha anterior

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Publicado em 30/07/2020 às 17:25
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O presidente pressiona órgãos federais para que as entidades do país voltem - FOTO: CHIP SOMODEVILLA/AFP
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O presidente americano, Donald Trump, sugeriu nesta quinta-feira (30) a possibilidade de um adiamento sem precedentes das eleições presidenciais nos Estados Unidos, alegando que os mecanismos para votar com segurança em meio à pandemia produzirão fraudes no pleito.

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"Com a votação universal pelo correio (não a votação em ausência, que é boa), 2020 será a eleição mais IMPRECISA E FRAUDULENTA da história. Será um grande embaraço para os Estados Unidos", escreveu o presidente em publicação no Twitter.

E perguntou: "Adiar as eleições até que as pessoas possam votar corretamente, de forma adequada e segura???".

O tuíte do presidente foi publicado em um momento em que as estatísticas oficiais confirmaram que a economia americana entrou em recessão após registrar uma retração histórica de 32,9% no segundo trimestre.

Os Estados Unidos nunca adiaram uma eleição presidencial, nem mesmo durante a Guerra de Secessão (1861-1865).

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De qualquer forma, é improvável que sejam adiadas desta vez. A Constituição dos EUA é muito clara: apenas o Congresso pode mudar a data das eleições, definida por lei em 3 de novembro, e os democratas da oposição controlam a Câmara dos Deputados.

Sobre o assunto, o Comitê Nacional Democrata respondeu: "A ameaça de Trump não é mais do que uma tentativa desesperada de distração dos devastadores indicadores econômicos atuais, que deixam claro que sua mal-sucedida resposta ao coronavírus arruinou a economia dos Estados Unidos", segundo comunicado.

"Trump pode tuitar tudo que quiser, mas a realidade é que não pode adiar as eleições em novembro, e os eleitores o responsabilizarão" pela situação, acrescentou a nota.

No Partido Republicano também houve repercussão. O senador Marco Rubio, aliado de Trump, disse a jornalistas no Congresso que "desejaria que ele não tivesse dito isso".

"Mas não vai mudar, as eleições ocorrerão em novembro e será uma pessoa na qual as pessoas confiarão", ressaltou.

Vários estados dos EUA querem tornar a votação por correio mais acessível para limitar ao máximo a disseminação do novo coronavírus. Muitos têm permitido esse sistema de votação há anos e não relataram grandes problemas além de incidentes isolados.

 

Trump, que enfrenta pesquisas muito desfavoráveis frente ao seu oponente democrata, Joe Biden, evocou o fantasma da fraude em massa em várias ocasiões nas últimas semanas.

Seus comentários sobre esse assunto levaram o Twitter a relatar pela primeira vez no final de maio que um de seus tuítes era enganoso, acrescentando a menção: "Verifique os dados".

No final de abril, Biden previu que o bilionário faria o possível para adiar a eleição.

"Lembrem-se do que eu digo, acho que ele tentará adiar as eleições de uma maneira ou de outra, e encontrará razões pelas quais elas não poderão ser realizadas", afirmou.

Porém, alguns dias depois, o magnata, questionado durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, rejeitou categoricamente essa hipótese.

"Nunca pensei em mudar a data. Por que faria isso?", questionou.

O tuíte presidencial que evocava a possibilidade de adiamento das eleições foi enviado alguns minutos após o anúncio de uma queda histórica no PIB dos EUA no segundo trimestre (-32,9%), como resultado da crise da saúde.

Com a economia em recessão, a pandemia do novo coronavírus ainda está fora de controle em algumas regiões do país, incluindo estados com governos republicanos, como Flórida e Texas.

O surto de COVID-19 forçou muitos estados durante os primeiros meses do ano a adiarem as eleições primárias, ou a mantê-las com menos postos de votação.

Os principais programas esportivos foram cancelados, ou reduzidos, e sérias dúvidas permanecem em grande parte do país sobre se escolas e universidades serão reabertas em setembro, após as férias de verão.

 

 

Com a proximidade das eleições, Trump se opôs radicalmente às tentativas democratas de aumentar a disponibilidade de votação por correio, argumentando que esse método promoverá fraudes eleitorais.

Segundo o presidente, os americanos deveriam fazer filas nos centros de votação, como sempre.

Seus oponentes dizem que não há evidência de fraude significativa nas eleições nos Estados Unidos, e que o que deve ser promovido é um esforço maior para melhorar a logística da já complicada votação por e-mail.

Trump, um magnata que chegou à Casa Branca após uma vitória surpresa sobre a democrata Hillary Clinton em 2016, dedicou grande parte de seu governo a desafiar as normas existentes e é o primeiro presidente da história do país a buscar um segundo mandato depois de passar por um processo de impeachment no Congresso.

As suspeitas sobre suas intenções crescem entre os democratas, na medida em que as pesquisas indicam que ele perderá em vários estados pendulares, nos quais a vitória é determinante para conquistar a presidência.

De acordo com uma média das pesquisas nacionais realizada pelo site RealClearPolitics, por seis semanas Biden esteve à frente de Trump em 8 a 10 pontos percentuais nas intenções de voto.

No clima predominante de incerteza, os temores da pandemia acabaram com as tradicionais campanhas eleitorais americanas.

Trump teve de adiar seus grandes comícios, marcantes em sua campanha anterior, e Biden, seu rival democrata, promove sua eleição de sua casa no estado de Delaware.

 

 

 

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