IMUNIZAÇÃO

OMS recomenda que vacina AstraZeneca continue sendo usada

Enquanto vários países europeus, incluindo França e Alemanha, suspenderam a vacinação com o produto sueco-britânico, outros, como Reino Unido e Índia, saíram em defesa do mesmo

AFP
AFP
Publicado em 17/03/2021 às 23:56
Tânia Rêgo/Agência Brasil
A vacina Oxford/AstraZeneca tem um esquema de aplicação que prevê duas doses por pessoa - FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Leitura:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta quarta-feira (17) a continuação do uso da vacina anticovid-19 AstraZeneca - cuja aplicação foi suspensa em vários países devido a possíveis efeitos colaterais -, enquanto especialistas continuam avaliando os dados de segurança.

"No momento, a OMS considera que o balanço de riscos e benefícios se inclina a favor da vacina da AstraZeneca e recomenda que a vacinação continue", afirma um comunicado da agência de saúde da ONU.

Enquanto vários países europeus, incluindo França e Alemanha, suspenderam a vacinação com o produto sueco-britânico, outros, como Reino Unido e Índia, saíram em defesa do mesmo. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que será imunizado com essa vacina "muito em breve".

Cerca de metade da população do Reino Unido, 25,2 milhões de pessoas, já recebeu a primeira dose e cerca de 11 milhões o fizeram com a vacina da AstraZeneca-Oxford. Para recuperar a confiança no imunizante, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, também se dispôs a recebê-lo assim que o mesmo for reautorizado no país, enquanto seu governo não descarta um novo confinamento em Paris e seus arredores.

As diferentes variantes do novo coronavírus, especialmente a britânica, que é altamente contagiosa, circulam de forma acelerada por toda a Europa. A Polônia começará um confinamento parcial de três semanas a partir de sábado.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) recomendou hoje aos países das Américas que continuem usando a vacina AstraZeneca. "Não foram reportados sinais de alerta em relação à segurança dessa vacina", afirmou Sylvain Aldighieri, gerente de incidentes da organização.

A Índia, por sua vez, declarou que apoia "com todo o vigor" a vacina AstraZeneca e pediu à população disciplina nas restrições, para evitar a segunda onda de coronavírus.

Dez países europeus (Alemanha, França, Itália, Eslovênia, Espanha, Portugal, Letônia, Suécia, Luxemburgo e Chipre) juntaram-se à Dinamarca, Noruega e Islândia na lista dos que suspenderam a vacina por problemas de coagulação. A Espanha anunciou que investiga três casos de trombose, um dos quais culminou na morte do paciente.

Outros países traçam seu próprio caminho para a imunização contra a covid-19. Cuba informou que espera ter, "no mais tardar" em agosto, as milhões de doses de que necessita para imunizar "toda" a sua população.

A União Europeia estabeleceu a meta de vacinar 70% de sua população adulta até o final do verão (inverno no Brasil). Um objetivo que fica no ar diante das dificuldades de fornecimento.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou nesta quarta um projeto de certificado de saúde para tornar as viagens dentro do bloco "seguras". O documento, chamado Certificado Digital Verde, registrará que o portador foi vacinado, está imune ou obteve resultado negativo em um teste de PCR. As autoridades esperam implementá-lo a tempo de salvar a temporada turística.

Na América Latina, o Brasil registrou um recorde de 90.303 infectados em 24 horas e 2.648 mortos, situação que levou a Opas a pedir ao governo do país a adoção de novas medidas.

O gerente de incidentes da organização assinalou que a crise de saúde brasileira é fruto de uma implementação "subótima" de medidas de saúde pública durante as festas de fim de ano e o Carnaval. A transmissão do vírus "é alta ou muito alta" em todas as regiões do país, afirmou.

O Brasil soma 284.775 mortos e 11,69 milhões de infectados desde que a doença foi relatada pela primeira vez, em dezembro de 2019, na China. 

Últimas notícias