ACORDO

Oposição forma coalizão frágil em Israel e Netanyahu deixará poder após 12 anos

O novo governo será liderado pelo centrista Yair Lapid e pelo ultranacionalista Naftali Bennett

Estadão Conteúdo
Estadão Conteúdo
Publicado em 02/06/2021 às 23:48
Notícia
Foto: RONEN ZVULUN / POOL / AFP
O primeiro-ministro é conhecido como "O Mágico" por causa da sua habilidade política em manter-se no cargo - FOTO: Foto: RONEN ZVULUN / POOL / AFP
Leitura:
A oposição em Israel chegou nesta quarta-feira (2) a um acordo para formar uma coalizão de governo, abrindo caminho para a saída de Binyamin Netanyahu do poder, depois de 12 anos no cargo. O primeiro-ministro, conhecido como "O Mágico" por sua habilidade política em manter-se no cargo, deve ser substituído por uma aliança frágil, que abriga desde a ultradireita até seculares, esquerdistas e árabes.
O novo governo será liderado pelo centrista Yair Lapid e pelo ultranacionalista Naftali Bennett. O anúncio da coalizão foi feito por Lapid, depois de os principais partidos do bloco terem assinado o termo de compromisso. A negociação começou no fim de semana. O acordo prevê o rodízio no cargo de primeiro-ministro, entre Bennett e Lapid. "Eu consegui", escreveu Lapid, em sua conta no Twitter.
O próximo passo é a ratificação do acordo de coalizão no Parlamento israelense, votação que deve ocorrer nos próximos dias. O caráter heterogêneo do pacto anti-Netanyahu divide analistas. Enquanto alguns acreditam que ele contempla a complexidade da sociedade israelense, outros são mais céticos e creem que ele deve durar pouco, dada as discordâncias entre seus membros.
Ainda na expectativa de permanecer no cargo, Netanyahu trabalha com duas estratégias. A primeira é convencer aliados mais à direita da coalizão opositora a desertar. A segunda é contar com o apoio do presidente do Parlamento, Yariv Levin, que é do seu partido, o Likud, a adiar a votação que deve efetivar a nova coalizão.
O principal responsável por apear Netanyahu do poder é Naftali Bennett. Ex-aliado do premiê e líder do partido ultranacionalista Yamina, ele já defendeu a anexação da Cisjordânia. No domingo, ele aceitou a proposta de Lapid para um acordo de divisão de poder.
Assim, Bennett deve governar Israel pelos próximos dois anos, até 2023, e Lapid concluirá o mandato, até 2025. O rodízio no cargo não é um caso raro na política israelense. Entre 1984 e 1988, o trabalhista Shimon Peres governou a primeira metade do mandato, e Yitzhak Shamir, do Likud, concluiu o governo.
A última vez que isso aconteceu foi em maio do ano passado, para resolver o impasse causado por três eleições inconclusivas - ninguém obteve maioria no Parlamento nas votações de abril e de setembro de 2019, e de março de 2020. Foi quando Netanyahu decidiu oferecer o rodízio ao líder da oposição, Benny Gantz, que aceitou.
A aliança, no entanto, desandou. A falta de aprovação de um orçamento para 2021 fez o Parlamento ser dissolvido, em dezembro, e uma quarta eleição em dois anos foi convocada - Gantz e outros líderes de oposições acusaram Netanyahu de usar a manobra regimental para evitar entregar o cargo.
A oposição afirma que Netanyahu está apegado ao poder por razões pessoais. Indiciado por corrupção, ele estaria buscando imunidade processual. O premiê nega. Mesmo assim, fora do poder, o primeiro-ministro enfrentará problemas na Justiça. Ele é acusado de favorecer um empresário de mídia em troca de uma cobertura política favorável.
No total, Bibi, como é conhecido, governou Israel por quase 15 anos, com um mandato de três anos, entre 1996 e 1999, e o atual, desde 2009. Seu partido, o Likud, agora deve ir para a oposição, junto com os partidos religiosos. A legenda de Netanyahu, no entanto, tem a maior bancada do Parlamento, com 30 deputados.
A nova coalizão de Bennett e Lapid conta ainda com o apoio de partidos conservadores, de esquerda e até de Mansour Abbas, do partido árabe Raam, que representa os cidadãos árabes de Israel. Para chegar a um acordo, os partidos de oposição precisaram deixar de lado divisões ideológicas e superar as pretensões ministeriais de todas as bancadas, especialmente às pastas de Defesa e Justiça, as mais importantes. 

Últimas notícias