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"Temo por minhas irmãs afegãs", diz Malala Yousafzai após Talibã tomar o poder no Afeganistão

Yousafzai sobreviveu a uma tentativa de assassinato dos talibãs no Paquistão quando tinha apenas 15 anos

AFP
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Publicado em 17/08/2021 às 22:05
Rovena Rosa/Agência Brasil
A ativista paquistanesa em visita à capital paulista, em 2018 - FOTO: Rovena Rosa/Agência Brasil
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A ganhadora do Prêmio Nobel Malala Yousafzai, escreveu nesta terça-feira (17) "Temo por minhas irmãs afegãs", um artigo de opinião publicado no The New York Times após o Talibã tomar o poder no Afeganistão.

"Teremos tempo para debater o que deu errado na guerra do Afeganistão, mas neste momento crítico devemos ouvir as vozes das mulheres e meninas afegãs. Elas estão pedindo proteção, educação, pela liberdade e pelo futuro que foi prometido", escreveu Yousafzai, de 24 anos.

"Não podemos continuar a falhar com elas. Não temos tempo a perder".

Yousafzai sobreviveu a uma tentativa de assassinato dos talibãs no Paquistão quando tinha apenas 15 anos, quando os militantes atiraram em sua cabeça na zona rural do noroeste do Paquistão.

Desde então, a graduada em Oxford tornou-se uma figura global na promoção da educação para meninas.

O talibã assumiu o controle efetivo do Afeganistão no domingo, quando o presidente Ashraf Ghani fugiu e os insurgentes entraram em Cabul sem oposição. O momento marcou uma derrota incrivelmente rápida nas principais cidades do país em apenas 10 dias, após duas décadas de uma guerra que ceifou centenas de milhares de vidas.

Os insurgentes lideraram um regime, de 1996 a 2001, famoso por uma regra brutal em que as meninas não podiam ir à escola, as mulheres eram proibidas de trabalhar em empregos que as colocariam em contato com os homens e as pessoas eram apedrejadas até a morte.

A recente tomada gerou temores de uma opressão renovada, em particular contra mulheres e meninas.

"Não posso deixar de ser grata por minha vida agora", escreveu Yousafzai. "Depois de me formar na faculdade no ano passado e começar a traçar meu próprio caminho profissional, não consigo imaginar perder tudo - voltando a uma vida definida para mim por homens armados", continuou.

"As meninas e jovens afegãs estão mais uma vez onde eu estive - desesperadas com a ideia de que talvez nunca mais tenham permissão para ver uma sala de aula ou segurar um livro."

Na terça-feira, um porta-voz do talibã indicou que não tornariam a burca completa - uma vestimenta de uma peça que cobre toda a cabeça e o corpo - obrigatória, e procurou afastar as preocupações de que as mulheres seriam proibidas de estudar.

Mulheres "poderão receber educação, do primário à universidade. Anunciamos essa política durante conferências internacionais, na conferência de Moscou e aqui na conferência de Doha [sobre o Afeganistão]", explicou Shaheen.

Mas Yousafzai levantou ceticismo em relação a essa promessa.

"Dado o histórico do talibã de suprimir violentamente os direitos das mulheres, os temores das mulheres afegãs são reais", escreveu ela.

"Já estamos ouvindo relatos de estudantes mulheres sendo rejeitadas em suas universidades, trabalhadoras de seus escritórios".

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