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Sob pressão, Biden defende as 'difíceis' operações de evacuação no Afeganistão

O presidente americano realizou nesta sexta-feira (20), na Casa Branca, um pronunciamento sobre a situação no Afeganistão após o Talibã assumir o poder

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Publicado em 20/08/2021 às 19:12 | Atualizado em 21/08/2021 às 2:20
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O governo Biden foi criticado pela falta de preparo para a evacuação - FOTO: ANNA MONEYMAKER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP
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Sob uma tempestade de críticas pela retirada dos militares americanos do Afeganistão, o presidente Joe Biden defendeu nesta sexta-feira (20) as "difíceis" operações de evacuação em Cabul e disse que não pode garantir o "resultado final", enquanto milhares de civis tentam fugir desde que o Talibã assumiu o poder.

Os voos de saída do aeroporto de Cabul foram suspensos por várias horas devido à saturação das bases americanas no Golfo, particularmente no Catar, para onde os refugiados são inicialmente levados, admitiu um funcionário do Pentágono nesta sexta-feira.

Esta missão de evacuação é "uma das maiores e mais difíceis da história" e os Estados Unidos são "o único país capaz" de organizá-la, disse Biden em discurso na Casa Branca, no qual também anunciou que 13.000 pessoas foram retiradas do país pelos militares dos EUA desde o início das operações em 14 de agosto.

"Não posso prometer qual será o resultado final ou que será sem risco de perda", admitiu. Mas, como comandante em chefe, posso garantir que vou mobilizar todos os recursos necessários", prometeu.

Biden, criticado por administrar a retirada do Afeganistão após 20 anos de guerra, garantiu que as cenas de caos no aeroporto de Cabul não afetaram a "credibilidade" dos Estados Unidos no cenário internacional.

Os evacuados são, em sua maioria, cidadãos americanos que têm permissão do Talibã para entrar no aeroporto. Mas muitos afegãos, especialmente aqueles que colaboraram com os Estados Unidos e possuem vistos especiais de imigração junto com seus familiares, não podem acessar o complexo protegido por mais de 5.000 soldados americanos.

"Não há ninguém mais importante para evacuar do que os cidadãos americanos, eu admito. Mas quase todos aqueles... Que realmente nos ajudaram são igualmente importantes", disse Biden, observando que os Estados Unidos estão "em contato permanente" com o Talibã para "garantir que os civis tenham acesso seguro ao aeroporto".

Esses civis temem retaliação do Talibã, que, no entanto, prometeu anistiar aqueles que colaboraram com forças estrangeiras. Outros, defensores dos direitos humanos, jornalistas ou ativistas políticos, consideram-se "vulneráveis" e possíveis alvos dos fundamentalistas islâmicos.

O governo Biden foi criticado pela falta de preparo para a evacuação após um fim de semana caótico.

Na segunda-feira, Biden fez uma primeira intervenção, com uma breve mensagem à nação na qual defendeu "firmemente" sua decisão de retirar as tropas americanas do Afeganistão antes de 31 de agosto, após a ofensiva lançada na sequência dos ataques de 11 de setembro de 2001.

“Eu sou o presidente dos Estados Unidos, no final das contas a responsabilidade é minha”, disse.

Dois dias depois, em entrevista à ABC, ele argumentou que a retirada dos EUA invariavelmente levaria a alguma forma de "caos".

As imagens de civis em pânico, se aglomerando para entrar no aeroporto ou tentando subir na fuselagem de aviões prestes a decolar, surpreenderam a opinião pública americana, que até esta semana era, em sua maioria, a favor da retirada, que o governo havia prometido que seria organizada.

 Não é mais uma ameaça ao "interesse nacional" 

“Todo americano que quiser voltar para casa, nós o levaremos para casa”, prometeu Biden nesta sexta-feira, sem confirmar se os militares permanecerão em Cabul depois de 31 de agosto.

"Abandonar os americanos é uma negligência ao cumprimento do dever, vergonhosa e imperdoável", disse o ex-presidente republicano Donald Trump em um comunicado, pedindo mais uma vez a "renúncia" de seu sucessor.

No entanto, foi Trump quem inicialmente decidiu retirar as forças armadas dos EUA, com um cronograma ainda mais apertado.

Nas fileiras democratas, alguns também lamentaram a falta de previsão e o colapso do regime afegão em apenas dez dias.

Biden insistiu em sua decisão de se retirar, argumentando que o Afeganistão não é mais uma ameaça ao "interesse nacional" dos Estados Unidos.

"Fomos ao Afeganistão com o objetivo explícito de nos livrarmos da Al-Qaeda e de acabar com Osama bin Laden, e o fizemos", enfatizou.

Desde então, "a ameaça terrorista sofreu uma metástase e há perigos mais significativos", representados pelo grupo Estado Islâmico, Al-Qaeda e seus afiliados em outros lugares, acrescentou.

Cerca de 5.700 pessoas foram evacuadas do Afeganistão pelas forças dos EUA em 24 horas, disse a Casa Branca após o discurso presidencial.

Cerca de 18.000 deixaram o país em aviões dos EUA desde o final de julho.

Os Estados Unidos planejam evacuar mais de 30.000 americanos e afegãos através de suas bases no Kuwait e no Catar.

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