PANDEMIA

OMS teme 700.000 mortes adicionais por covid-19 na Europa até março de 2022

Para a OMS, o aumento de casos no continente se explica pela combinação de três fatores: virulência da variante delta, altamente contagiosa; vacinação insuficiente; e flexibilização das restrições sanitárias

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Publicado em 24/11/2021 às 0:27
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NIKOLAY DOYCHINOV / AFP
A covid-19 provocou 1,5 milhão de mortes até o momento na Europa - FOTO: NIKOLAY DOYCHINOV / AFP
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme que o avanço da pandemia de coronavírus na Europa provoque 700.000 mortes adicionais até março, caso a tendência atual persista.

Com isso, número total de óbitos por covid-19 chegaria a 2,2 milhões na região.

Em um comunicado, a OMS informou que "se espera" uma alta, ou extrema, pressão sobre as unidades de terapia intensiva (UTI) "em 49 dos 53 países que integram a região, de agora até 1º de março de 2022" e que "as mortes acumuladas contabilizadas devem superar 2,2 milhões até a primavera" (hemisfério norte, outono no Brasil).

A covid-19 provocou 1,5 milhão de mortes até o momento na Europa.

Segundo dados oficiais, as mortes ligadas ao coronavírus dobraram desde o final de setembro, passando de 2.100 por dia para cerca de 4.200, em média, na Europa.

Com uma frase impactante, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, alertou nesta terça-feira que no final do inverno todos estarão "vacinados, curados ou mortos" devido à disseminação da variante delta no país.

Para a OMS, o aumento de casos se explica pela combinação de três fatores: virulência da variante delta, altamente contagiosa; vacinação insuficiente; e flexibilização das restrições sanitárias.

"A situação na Europa e na Ásia Central é muito séria. Enfrentamos um inverno cheio de desafios", afirmou o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, pedindo que, à vacinação, sejam somadas medidas de prevenção, como o uso de máscara, higiene e distanciamento físico.

Na União Europeia, 67,7% da população está totalmente vacinada, embora as diferenças entre os países sejam impressionantes. Na Bulgária, apenas 24,2% da população está vacinada, contra 86,7% em Portugal.

Atualmente, a Comissão trabalha em uma "atualização" das recomendações e prevê apresentar as suas propostas de mudanças no certificado europeu nos próximos dias.

Por outro lado, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou na terça-feira que decidirá em algumas semanas se autoriza a comercialização da pílula anti-covid da Merck, Molnupiravir, vendida sob o nome Lagevrio.

“A EMA avaliará os benefícios e riscos do Lagevrio em um curto espaço de tempo e poderá emitir parecer em poucas semanas se os dados apresentados forem sólidos e completos o suficiente para demonstrar a eficácia, segurança e qualidade do medicamento”, afirmou.

Protestos

Enquanto isso, os governos decidiram apertar as medidas para neutralizar o aumento de infecções na região. Na Áustria, a população está novamente confinada desde segunda-feira. Na Bélgica e na Holanda, os governos impuseram novas restrições à saúde, gerando manifestações violentas.

Um ato de "pura violência" por "idiotas", disse o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, referindo-se à agitação que abala o país desde sexta-feira.

Protestos violentos também foram registrados do outro lado do Atlântico, nas Antilhas francesas. Tanto os trabalhadores da saúde como os bombeiros se opõem ao passe sanitário e à vacinação obrigatória do pessoal médico.

Embora, de acordo com a OMS, "haja evidências crescentes de que a proteção induzida pela vacinação contra infecções leves e formas benignas está diminuindo", a organização recomenda um reforço da vacina para os mais vulneráveis, incluindo os imunossuprimidos.

Na França, o Conselho de Defesa vai abordar a questão da terceira dose na quarta-feira, em um contexto de aumento das infecções. Na segunda-feira, o primeiro-ministro, Jean Castex, testou positivo para covid-19.

Esta reunião vai permitir "abordar a questão da terceira dose da vacina, tendo em conta as recomendações que obtivemos de diferentes autoridades científicas e de saúde", afirmou o ministro da Saúde, Olivier Véran.

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