TRAGÉDIA

Ao menos 27 migrantes morrem em pior naufrágio em anos no Canal da Mancha

Emmanuel Macron, anunciou a morte de pelo menos 31 pessoas, o número em seguida foi rebaixado para 27 falecidos pelo Ministério do Interior

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Publicado em 24/11/2021 às 22:52
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Os migrantes recebem ajuda do barco salva-vidas RNLI (Royal National Lifeboat Institution) antes de serem conduzidos a uma praia em Dungeness, na costa sudeste da Inglaterra - FOTO: Ben STANSALL / AFP
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Ao menos 27 migrantes morreram nesta quarta-feira (24) no naufrágio de um barco na costa norte da França, ponto de saída das travessias rumo às costas do Reino Unido, uma tragédia que abalou as autoridades de Paris e Londres.

"A França não deixará que a Mancha se torne um cemitério", declarou nesta quarta-feira (24) o presidente francês, Emmanuel Macron, que anunciou a morte de pelo menos 31 pessoas, um número em seguida rebaixado para 27 falecidos pelo Ministério do Interior.

O presidente francês pediu o "reforço imediato dos recursos da agência Frontex nas fronteiras externas da União Europeia" e uma "reunião de emergência dos ministros europeus preocupados com a questão da migração".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, se disse "chocado, indignado e profundamente triste" com o ocorrido, afirmando querer "fazer mais" com a França para impedir essas travessias ilegais e citando "problemas para convencer alguns de nossos parceiros, principalmente os franceses".

O Ministério Público abriu uma investigação por vários crimes, entre eles "homicídio". O ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, garantiu que quatro traficantes "diretamente relacionados" à tragédia foram presos.

Em declarações à imprensa na cidade de Calais, no norte da França, Darmanin afirmou haver uma criança entre as vítimas. a prefeita da cidade, Natacha Bouchart, revelou que também havia uma grávida.

Deixando de lado as tensões por esta e outras questões, Macron e Johnson conversaram por telefone e "concordaram na urgência de aumentar os esforços conjuntos para impedir essas travessias e fazer o possível para impedir a ação de gangues que coloquem vidas em risco", declarou um porta-voz de Downing Street.

Londres e Paris se comprometeram a "reforçar" sua cooperação, após a chegada em 11 de novembro de 1.185 migrantes às costas inglesas, um recorde.

O balanço dessa tragédia supera por si só o número total de mortes no Canal da Mancha desde 2018, quando começou a aumentar o número de migrantes que tentam alcançar as costas britânicas a bordo de pequenas embarcações devido à maior vigilância nos portos e no túnel que liga França e Inglaterra.

Antes desse naufrágio, o balanço de 2021 era de três mortos e quatro desaparecidos. Em 2020, seis pessoas perderam a vida e outras três desapareceram. Em 2019, foram registrados quatro mortos.

"As pessoas morrem na Mancha, que está se tornando um cemitério a céu aberto, como o Mediterrâneo", declarou Pierre Roques, coordenador de uma associação de migrantes em Calais.

Os navios de resgate com os corpos das vítimas chegaram nesta quarta-feira à noite em Calais, onde um hangar foi montado para recebê-los. Seus restos mortais serão enviados a um laboratório forense para autópsia.

Segundo as primeiras informações das equipes de resgate, o desastre aconteceu em um pequeno bote inflável, de pouca estabilidade em águas mais tumultuosas.

Uma fonte próxima ao caso informou que cerca de 50 pessoas estavam a bordo da embarcação. De acordo com a autoridade marítima local, três helicópteros e três navios participavam dos trabalhos de busca.

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, "chocada e contrariada", estimou que "somente esforços coordenados e solidários (...) evitarão novas tragédias".

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, comandará uma reunião interministerial para abordar a situação nas primeiras horas desta quinta-feira.

"Meus pensamentos estão com os numerosos desaparecidos e feridos, vítimas de criminosos que se aproveitam de sua angústia e miséria", tuitou Castex.

Castex comandará uma reunião interministerial para abordar a situação nas primeiras horas desta quinta-feira.

O prefeito marítimo da Mancha e do Mar do Norte, Philippe Dutrieux, alertou na sexta-feira à AFP que o número de travessias de migrantes a bordo de pequenas embarcações dobrou nos últimos três meses.

Até 20 de novembro, 31.500 migrantes saíram das costas francesas desde janeiro e 7.800 foram resgatados, afirmou Dutrieux, que apontou que a tendência não diminuiu, apesar da queda das temperaturas.

O Reino Unido, que acusou meses atrás a França de não fazer o suficiente para deter a chegada de migrantes a suas costas, vai garantir que 22.000 consigam cruzar o Canal da Mancha nos 10 primeiros meses do ano.

 

 


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