PANDEMIA

Paris no Natal: a 'Cidade Luz' em tempos de covid-19

A 'Cidade Luz' não brilha tanto quanto de costume devido ao surgimento de novas variantes

AFP
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Publicado em 23/12/2021 às 19:49 | Atualizado em 23/12/2021 às 20:24
STEFANO RELLANDINI / AFP
Avenida francesa Champs-Élysées durante a véspera de Ano Novo, em 2020 - FOTO: STEFANO RELLANDINI / AFP
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A prestigiosa avenida Champs-Élysées cintila sob as luzes, as lojas têm suas vitrines enfeitadas e o mercado de Natal de Paris está lotado, no entanto, a "Cidade Luz" não brilha tanto quanto de costume, devido à pandemia de covid-19.

"Não aguentamos mais. No ano passado, pensávamos que estávamos vendo o fim de tudo isso, mas agora parece que um monte de variantes diferentes pode surgir", explica Dominique, um parisiense de 35 anos, perto de uma farmácia na Champs -Élysées onde a fila para fazer um teste de covid-19 parece não ter fim.

Na França, quase 6,2 milhões de testes para o coronavírus foram realizados na semana passada, um recorde desde o início da pandemia, provocado pela preocupação causada pela nova variante ômicron, que chegou quando muitos achavam que as festas de fim de ano seriam tranquilas.

Turistas e parisienses passeiam pela Champs-Elysées e fazem suas últimas compras de Natal. Porém, os fogos de artifício e shows planejados para a véspera de Ano Novo foram cancelados.

Dominique trabalha no bairro, mas vai passar o Natal na Itália, por isso veio fazer um teste em meio à quinta onda da pandemia na França: em Paris, um em cada 100 habitantes testou positivo nos últimos sete dias.

É o que aconteceu com "muitos amigos" de Julie Godet, de 28 anos, e Mathieu Alcaide, de 30, que passeiam pelo mercado de Natal. “Uma amiga acabou de pegar covid-19, então não poderá passar o Natal com sua família. Ela ficará confinada em seu pequeno apartamento em Paris. É angustiante”, conta Julie.

Outros amigos deles, embora tenham dado negativo, "estão se confinando antes do Natal para não infectar seus avós", afirma Mathieu.

"Reviver um pouco a magia do Natal"

A França, que tem cerca de 90% de sua população com mais de 12 anos vacinada, teve 122 mil mortes pela doença desde o início da pandemia.

Graças a um braseiro, Julie e Mathieu se mantêm aquecidos mesmo sob temperaturas congelantes perto da roda gigante ao lado do Museu do Louvre.

No mercado natalino, é obrigatório o uso de máscara e o passaporte sanitário para comer nos espaços internos e acessar as atrações.

Gilles Rau, de 64 anos, acaba de terminar seu café da manhã. Ele veio com sua família ao mercado para "reviver um pouco a magia do Natal", especialmente com seus três netos. O clima é "ótimo, como sempre, de qualquer forma não se pode fazer nada", responde.

Clement Changeur demonstra a mesma sensação de cansaço, após dois anos de pandemia.

"Não dá para ver o fim do túnel. De vez em quando você pensa: 'Vai, vamos viver como antes', mas não, não podemos relaxar muito", diz este engenheiro de 28 anos que, por medo do contágio, "não pega metrô" há um ano e meio.

"Muito estressante"

“A verdade é que não tomei muito cuidado no fim de semana passado”, confessa Clement, que esteve em bares. Por isso, terá que fazer um teste de antígeno antes de passar o Natal com os amigos, além de um teste PCR no dia seguinte para visitar sua família.

Clemente considera, porém, que tem “sorte de poder passar as festas sem restrições sanitárias”, quando “vê o (que acontece no) exterior”.

A China impôs estrito confinamento aos 13 milhões de habitantes da cidade de Xi'an. A Holanda confinou o país inteiro. E na Alemanha e na Dinamarca foram aplicadas medidas restritivas menos severas.

Esther, na casa dos quarenta anos, está preocupada porque pretende passar as férias com sua família na Alemanha: "E não sei como será na fronteira. É muito estressante."

Por enquanto, tenta não deixar que seus filhos se misturem muito com a multidão que se reúne nas lojas de Paris.

A covid-19 causa um estresse pela possibilidade de infecção e pelas viagens, mas também será tema de discussão na mesa de Natal, agora que se inicia na França a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos.

“Junto com a política e a educação dos menores", diz Esther. "A desculpa para mais uma taça de champanhe para relaxar o ambiente..."

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