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Grupo pede doações para comprar caixa que protege profissionais de saúde no momento da intubação e extubação pelo coronavírus

Mais de 10 unidades de saúde serão contempladas na primeira etapa do projeto

Thalis Araújo
Thalis Araújo
Publicado em 04/04/2020 às 19:42
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Meta inicial do grupo é de 30 caixas - FOTO: REPRODUÇÃO
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Boa ação é fundamental em todos os momentos, mas, em tempos de coronavírus, torna-se mais do que essencial. Com o objetivo de proteger os profissionais da saúde que estão no combate à covid-19, um grupo de amigos, de várias áreas profissionais, se juntou para, de alguma forma, ajudar a evitar que esses verdadeiros heróis sejam contaminados pelo vírus. Com isso, criaram uma vaquinha virtual para comprar caixas que ajudam os médicos no momento da intubação e da extubação, procedimentos necessários para auxiliar os pacientes na respiração.

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Segundo a organização do grupo Caixinha do Bem, durante os processos de intubação e extubação as chances de contágio pelo vírus são muito grandes, principalmente na extubação, que acontece quando o paciente está consciente e, se ele tossir, o vírus pode passar para o profissional de saúde. Isso sem contar que os tubos acumulam secreções que podem contaminar os médicos e fisioterapeutas. O equipamento é conhecido como 'Aerosol Box'.

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Caixa doada para o Hospital da Mulher do Recife - DIVULGAÇÃO

Planejamento mesmo em quarentena

Segundo Everson Veríssimo, um dos organizadores do grupo que fez a vaquinha, a equipe está em quarentena para evitar a proliferação do vírus, mas, mesmo assim, os integrantes realizam videoconferências para alinhar ainda mais a ideia. No começo, o grupo queria produzir máscaras do tipo face shield, que cobre todo o rosto, para distribuir nos hospitais, mas, por falta de uma imprensora 3D, a ideia não foi para a frente. Depois, surgiu a iniciativa para a aquisição das 'Aerosol Box's'. "Nessa época de quarentena, nossos encontros e fotos são virtuais, cada um em sua casa. Serve para se cuidar e poupar os médicos, inclusive", afirmou à reportagem do Jornal do Commercio.

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Grupo em videoconferência - REPRODUÇÃO

Nesta fase da campanha, a meta do grupo é de comprar, pelo menos, 30 caixas. A equipe fechou a conta depois de fazer um levantamento das demandas de cada um dos hospitais que serão beneficiados, mas, a medida que a campanha crescer e a demanda também, a meta pode ser ampliada. A caixa está sendo fabricada por uma empresa de decoração e manipulação de acrílicos que fica no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife. A loja está fechada, em cumprimento das ordens das autoridades sanitárias e do Ministério da Saúde. Apenas o proprietário está fabricando o material.

A eficácia da caixa foi comprovada pelo anestesiologista Lai Hsien-yung, de Taiwan, que criou o material e disponibilizou os seus moldes para o público. Alguns cientistas, para testar a eficácia do equipamento, simularam uma situação de tosse dentro da caixa utilizando balões que explodiam e espalhavam seu conteúdo, como se fosse uma tosse de verdade, e, através de uma luz UV, verificaram o alcance das partículas sem e com a caixa. Enquanto em uma situação sem caixa o “espirro” artificial se espalhou para a máscara, pescoço e roupa do médico, além de alcançar o chão a vários centímetros de distância, ao utilizar a caixa, a maior parte do “espirro” ficou contido no equipamento, alcançando apenas a mão com luvas do médico, justamente a parte do corpo do médico que estava dentro da caixa.

Unidades de saúde a serem contempladas:

  • Hospital Oswaldo Cruz - HUOC;
  • Hospital Correia Picanço - HCP;
  • Hospital da Mulher do Recife - HMR;
  • IMIP;
  • Hospital do Tricentenário - HT;
  • Hospital da Restauração - HR;
  • Hospital Barão de Lucena - HBL;
  • Hospital Getúlio Vargas - HGV;
  • Hospital Agamenon Magalhães - HAM;
  • Hospital Metropolitano Norte Miguel Arraes - HMNMA;
  • Hospital Metropolitano Sul Dom Helder Câmara - HMSDHC;
  • Hospital Pelópidas Silveira - HPS;
  • Procape;
  • Hospital Geral do Estado - HGE;
  • Hospital dos Servidores do Estado - HSE;
  • Hospital Militar de Área do Recife - HMAR;
  • Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros - CISAM;
  • Hospital Otávio de Freitas - HOF.

Como fazer para doar?

Cada caixa custa R$ 270. O grupo precisa, ao todo, de R$ 8.618,40. O valor inclui as taxas que são cobradas pelo site que faz o procedimento para que eles tenham acesso à quantia doada, o 'Vakinha'. Até a publicação desta matéria, já tinham sido doados R$ 2.279.

Dúvidas e prestação de contas

O grupo disponibilizou uma página no Instagram, a @caixinhadobempe. Lá, as pessoas poderão acompanhar os locais que já estão sendo contemplados e ficar por dentro de tudo o que acontece durante a pandemia do novo coronavírus.

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O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Confira o passo a passo de como lavar as mãos de forma adequada

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Caixa doada para o Hospital da Mulher do Recife - FOTO:DIVULGAÇÃO
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Grupo em videoconferência - FOTO:REPRODUÇÃO

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