Caso Miguel

"Te peço perdão", diz Sarí Gaspar Côrte Real para a mãe do menino Miguel; leia a carta

A ex-patroa da mãe de Miguel afirmou que a dor da Morte de Miguel vai acompanhar ela pelo resto da vida

Douglas Hacknen
Douglas Hacknen
Publicado em 05/06/2020 às 20:38
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REPRODUÇÃO/REDE SOCIAL
Sari era patroa de Mirtes, mãe de Miguel - FOTO: REPRODUÇÃO/REDE SOCIAL
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Em carta divulgada na noite desta sexta-feira (5), a primeira-dama de Tamandaré, cidade do litoral sul pernambucano, Sarí Côrte Real, pediu perdão a mãe de Miguel, Mirtes Renata. O garoto de 5 anos morreu após cair do 9º andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, um dos imóveis do conjunto conhecido como "Torres Gêmeas", um condomínio de luxo, no bairro de São José, área central do Recife. Ele foi colocado no elevador, sozinho, por Sarí, para que encontrasse a sua mãe.

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A patroa começa a mensagem escrita se solidarizando com a dor de Mirtes: "como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento". Sarí Corte Real afirmou que ao levar Miguel ao elevador nunca pôde imaginar que qualquer mal fosse acontecer à criança.

Em seu primeiro pronunciamento público após o caso, ocorrido na última terça-feira (2), Sarí criticou as redes sociais, local onde o caso teve repercussão nacional, alegando que tais plataformas potencializam o ódio das pessoas.

A primeira-dama afirmou ainda que a dor da Morte de Miguel vai acompanhar ela pelo resto da vida, mas destacou que a dor que ela sente não é comparável à dor da mãe.

"Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhar também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente", escreveu.

Confira a íntegra da carta

"Carta a Mirtes

Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família.

Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável.

Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu.

Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhar também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente.

Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração

Sari Gaspar"

Entenda o caso

Miguel Otávio, de 5 anos, havia sido levado pela mãe, Mirtes Renata, para a casa onde trabalhava porque ela não tinha com quem deixar a criança em função da pandemia. A patroa, Sari Mariana Côrte Real, pediu a ela que fosse passear com o cachorro. Ao fazer isso, Mirtes deixou o filho no apartamento, com a dona da casa.

A patroa deixou o menino entrar em um elevador, sozinho, para buscar a mãe e voltou para casa para fazer a unha com uma manicure. O menino entrou no elevador, no quinto andar, e foi até o nono, de onde caiu.

O Ministério Público de Pernambuco divulgou nota lamentando a morte e se solidarizando com a família de Miguel Otávio. O órgão informou que acompanha o caso. Além do episódio, investiga também o fato de Mirtes ser remunerada pela prefeitura de Tamandaré, presidida pelo patrão.

“Quanto a esta situação, o procurador-geral de Justiça já determinou a instauração de procedimento criminal para apurar eventual prática de crime e enviou cópia da representação para a Promotoria de Justiça de Tamandaré, para investigar provável ato de improbidade administrativa”, disse o MPPE em nota.

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