CRIME

Na luta contra a covid-19, médico tem os pneus do carro furtados dentro de hospital do Recife

O clínico-geral informou que tomou conhecimento do furto ao sair do plantão

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 24/07/2020 às 10:52
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CORTESIA
Os quatro pneus do veículo foram levados - FOTO: CORTESIA
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Ao dar entrada num plantão que durou 12 horas no Hospital Barão de Lucena, localizado no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife, um clínico-geral não imaginava que ao sair iria se deparar com o carro sem os quatro pneus. Na linha de frente do combate à pandemia do novo coronavírus, o médico de 30 anos, que trabalha duas vezes por semana na unidade de saúde, foi surpreendido pelo furto, que aconteceu dentro do estacionamento do hospital.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o profissional de saúde, que preferiu não se identificar, relatou que chegou ao hospital às 19h da quarta-feira (23), mas só tomou conhecimento do furto às 7h da quinta-feira (24). "Ninguém me avisou nada. Só quando eu saí do plantão, que cheguei no carro foi que vi. Logo que cheguei (no veículo) vieram alguns seguranças. Esses vigilantes ficam na parte interna do hospital e também na parte externa", disse.

Segundo o médico, para ter acesso ao estacionamento, exclusivo aos funcionários, é necessário passar por uma guarita e uma cancela. No entanto, na maioria das vezes a cancela fica aberta. "Essa cancela às vezes está fechada, e a guarita nem sempre tem segurança. Durante o dia quase sempre tem, mas à noite é muito raro ter alguém. Eles (os seguranças) ficam circulando no estacionamento", contou. Ao ser abordado pelos seguranças após tomar conhecimento do furto, o médico afirmou que nenhum comentou ter visto alguma movimentação suspeita próximo ao carro.

No entanto, casos como esse parecem ser comuns na unidade de saúde. "Eu já soube de relatos de assaltos no estacionamento com outros funcionários, de roubar peça de carro, ou só de roubar uma das rodas, também ouvi sobre um sequestro relâmpago", relatou.

O médico disse também que o medo é um sentimento constante nos funcionários do hospital. "Ali é muito escuro. Plantão noturno é terrível. Para mim é ruim, mas as colegas mulheres se sentem muito inseguras ali, principalmente à noite. À noite e final de semana é muito perigoso. Nós sempre tentamos ir com alguém, sai todo mundo junto na hora em que vai sair do plantão. Na hora em que vai buscar alguma coisa no carro é bem perigoso", contou.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), responsável pelo hospital, respondeu que a direção da unidade de saúde "está dando toda a assistência necessária ao servidor envolvido no caso". "Após ser informada do ocorrido, a direção da unidade acionou a empresa de segurança contratada para analisar o caso, inclusive com as imagens das câmeras, e discutir a otimização das rondas na área do hospital, que são realizadas periodicamente em todos os horários, todos os dias da semana. A empresa também já se prontificou a fazer o ressarcimento dos prejuízos ao servidor", conclui a nota.

O JC também entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e com a Polícia Civil. Assim que obtivermos retorno a matéria será atualizada.

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