atividade sísmica

Mais de 130 tremores de terra são registrados em Caruaru, no Agreste de Pernambuco

Desse total, só 15 foram sentidos; os demais tiveram magnitude tão baixa que foram detectados apenas por equipamentos

Maria Lígia Barros
Maria Lígia Barros
Publicado em 11/09/2020 às 11:11
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ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
A cidade pernambucana já registrou mais de 300 tremores só no segundo semestre de 2020 - FOTO: ARNALDO CARVALHO/JC IMAGEM
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Em pouco mais de um mês, Caruaru, no Agreste de Pernambuco, registrou mais de 130 tremores de terra. Estações da Rede Sismográfica Brasileira, operados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, detectaram 132 eventos sísmicos do dia 1º de agosto até esta quinta-feira (10). Desse total, só 15 foram sentidos; os demais tiveram magnitude tão baixa que foram registrados apenas por equipamentos.

A atividade sísmica se intensificou na última semana; entre a terça-feira (8) e a quarta-feira (9), foram 56 tremores de terra. O maior de todo o período ocorreu também na quarta, às 10h36, com magnitude de 2.5 na Escala Richter, considerada baixa.

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Por isso, o coordenador da Defesa Civil do município, Kleber Alexsander, reforçou que essas atividades não são fortes o suficiente para gerar danos.

“Do ponto de vista técnico, os episódios sísmicos que tem magnitude geração de danos são acima de 4.0. A gente está bem longe dessa linha”, frisou. “Até o presente momento, a Defesa Civil não recebeu nenhuma solicitação de vistoria referente a fatores de danos gerados pelos episódios sismológicos.”
A percepção para quem sente os tremores é como se houvesse um trem passando por debaixo da terra, descreve. “É uma sensação vibracional e aquele barulho.”

Mesmo com a baixa magnitude, Kleber garantiu que as atividades estão sendo acompanhadas. “Temos um sismógrafo instalado em caruaru e monitoramos ininterruptamente toda atividade de solo. Nós recebemos os relatórios da UFRN com georreferenciamento dos possíveis epicentros das manifestações. Temos feitos incursões e diligências nos locais para visualizar o que chamamos de sinais - qualquer coisa indique movimentação de solo, fissura, afundamentos -, bem como nas comunidades das redondezas, para verificar se há relatos de efeitos físicos contundentes. Até então, nada foi constatado”, detalhou.

Nesta sexta-feira, uma equipe do Laboratório Sismológico (LABSIS) da UFRN vai visitar Caruaru para dialogar com a Defesa Civil, além de levantar dados e fazer a manutenção de uma das estações.

“Vamos em campo juntamente com eles para fazer levantamentos pertinentes e, se for necessário, criar uma rede mais consistente de equipamentos para triangular a área e tentar compreender o que está provocando esses fenômenos físicos em nossa cidade”, concluiu.

O fenômeno é normal?

Não é a primeira vez que Caruaru registra sequências de tremores de terra, de acordo com o sismólogo do LABSIS, Joaquim Ferreira. O pesquisador explicou que, desde o século passado, há períodos de atividade sísmica mais intensa e mais baixa no município.

Os anos de 1967, 1984, 1991 e 2002, citou, foram alguns que registraram sucessivos tremores de terra. “Inclusive, em 1967, a população fugiu da cidade de tanto tremores que houve naquela época”, contou.

Por mais fracos que sejam, os fenômenos podem assustar, e esse talvez seja o maior dano. “Psicologicamente, se você tiver uma sequência de tremores sentidos muito grande, as pessoas ficam abaladas”, relatou o cientista.

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