educação

Professores da Rede Municipal do Recife realizam carreata contra retorno das aulas

Segundo a categoria, a prefeitura tem imposto autoritariamente um calendário de reposição de aulas, que teria forçado tempos excessivos de interação virtual nocivos à saúde física e mental dos educadores

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 15/09/2020 às 16:38
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DIVULGAÇÃO/SIMPERE
A carreata saiu da Academia da Cidade, no bairro de Campo Grande, em direção à Prefeitura do Recife - FOTO: DIVULGAÇÃO/SIMPERE
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Atualizada às 17h08

O Sindicato dos Professores da Rede Municipal do Recife (Simpere) realizou, na tarde desta terça-feira (15), uma carreata contra o retorno das aulas presenciais, que estão suspensas desde março devido à pandemia do novo coronavírus. A categoria também denuncia uma suposta exploração dos professores e professoras, que, segundo eles, vem acontecendo no atual regime de aulas remotas. O protesto teve concentração na Academia da Cidade Chié, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte da capital pernambucana, e seguiu para a Prefeitura do Recife, na área central da cidade.

Segundo a categoria, a prefeitura tem imposto autoritariamente um calendário de reposição de aulas, que, de acordo com ela, tem forçado tempos excessivos de interação virtual nocivos à saúde física e mental dos educadores, com reposição em fins de semana e feriados, além de fazer com o que os professores tirem de seu próprio salário os equipamentos necessários para as atividades. O sindicato afirma, ainda, que não houve diálogo algum com a categoria ou com a entidade de classe sobre o processo de reposição das aulas.

"Estamos lutando contra a exploração e opressão. Os educadores têm trabalhado até de madrugada, além dos sábados e feriados. Durante as aulas, se os professores não ligarem a tela em cinco minutos, são ameaçados de levar falta", declarou o diretor de finanças do Simpere, Carlos Elias.

Com início por volta das 14h, a carreata estava prevista para ter concentração no Classic Hall, no Grande Recife, no entanto, segundo a categoria, policiais estiveram no local para impedir a reunião de pessoas. Por isso, os manifestantes realizaram a concentração na Academia da Cidade para de lá seguir com a sua programação.

Aulas presenciais

Durante a carreata os professores também protestam contra o retorno das aulas presenciais, pois, de acordo com eles, no momento é impossível uma volta presencial apenas com protocolos de segurança. A categoria alega que as unidades escolares da rede do Recife se encontram em situação "deplorável", com salas de aula superlotadas, banheiros com torneiras quebradas, falta de água e sabão, além de não possuírem ventilação adequada.

Apesar dos professores estarem protestando contra a volta às aulas, o Governo de Pernambuco, no entanto, ainda não estabeleceu um retorno das aulas municipais, públicas e particulares do Estado.

Resposta da Secretaria de Educação

Em nota, a Secretaria de Educação do Recife informou que o calendário de reposição das aulas é uma opção para os professores que precisam cumprir a carga horária de 800 horas anuais e que nenhum educador pode ultrapassar as 44 horas semanais de trabalho. Confira o texto na íntegra:

"A Secretaria de Educação do Recife informa que o calendário de reposição das aulas é uma opção para os professores que precisam cumprir a carga horária de 800 horas anuais, conforme o parecer do Conselho Nacional de Educação, ressaltando que nenhum professor pode ultrapassar as 44 horas semanais. A gestão disponibilizou aos professores computador e modem, além do conteúdo para todas as modalidades de ensino - Educação Infantil, Anos Iniciais, Anos Finais, Travessia e Educação de Jovens e Adultos - que está disponível no site Escola do Futuro em Casa. As aulas também são transmitidas pela rádio e televisão. A carga horária está sendo computada desde o dia 02 de abril, quando iniciaram as atividades não presenciais."

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