PANDEMIA

Com aceleração da pandemia e UTIs lotadas, médicos reforçam necessidade do uso de máscara para proteção da covid-19

Oitenta entidades médicas lançaram manifesto reforçando a recomendação do uso de máscara, do distanciamento físico e da higiene das mãos

Margarida Azevedo
Margarida Azevedo
Publicado em 03/03/2021 às 15:48
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YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
Entidades médicas reforçam a necessidade da população usar máscaras - FOTO: YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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Severino, Cícero, Thiago, Janidarley, Ísis, Tácia, Afrânio, Maria da Penha, Laurendina, Antônio. Brasileiros que se protegem. Que sabem da importância de cuidar da vida deles e de quem está perto, seja um parente, um amigo ou um desconhecido. Usam máscaras para evitar a contaminação da covid-19, doença que assusta o mundo há pouco mais de um ano. Em todo o planeta já são 114 milhões de infectados e 2,5 milhões de mortos. No Brasil, 10,5 milhões de doentes e 255 mil óbitos. Com hospitais atingindo a capacidade máxima de atendimento - em Pernambuco a taxa de ocupação média de leitos para coronavírus chegou na terça-feira (02) a 85% na rede pública e 71% na rede privada - não dá para se descuidar. A preocupação é tanta que 80 entidades médicas lançaram essa semana um manifesto fazendo um apelo à população para que mantenha o uso de máscaras e lembrando da necessidade do distanciamento físico e higiene das mãos.

“A batalha está recomeçando e, provavelmente, teremos dias bem complicados. Não consigo entender como uma boa parte da população está brincando com o perigo. Hoje temos uma variante circulando que tem uma velocidade de transmissão 120% maior. Plano de saúde não garante leito em UTI. Essa guerra não se vence com armas, se vence com proteção. Diante de tantas mortes, não existem justificativas para não usar máscaras”, ressalta o infectologista Demetrius Montenegro, um dos médicos que vem acompanhando a doença desde o início em Pernambuco. Em 11 de março do ano passado a Organização Mundial de
Saúde (OMS) decretou a pandemia da covid-19.

“Se o número de pessoas mortas não tem mais impacto sobre você, então olhe para quem está ao seu lado e se pergunte: Em 2022, essa pessoa continuará ao meu lado ou apenas na saudade? Covid mata, nessa guerra a trincheira é nossa casa, nossa defesa é a máscara e a esperança para dias melhores é a vacina”, diz Demetrius, que atua no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), referência para casos do novo coronavírus na rede pública de saúde, e no Hospital Português. O infectologista defende a vacina para todos.

“O uso adequado da máscara além de ajudar a reduzir a transmissão do vírus, contribui na redução do risco de mortalidade. No caso dos pacientes oncológicos, cerca de um quarto dos infectados que estão em tratamento está vindo a óbito. É preciso, que tomemos consciência do momento doloroso que estamos vivendo. Novas cepas foram descobertas. Sem falar que não temos certeza da eficácia das vacinas. Portanto, usar máscaras é o maior bem que uma pessoa faz a si mesmo e ao próximo”, diz o oncologista Bruno Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Professora da Universidade de Pernambuco (UPE) e responsável pelo departamento de infectologia pediátrica da Sociedade Pernambucana de Pediatria, Alexsandra Costa ressalta a importância de manter atenção com crianças e adolescentes. “Precisamos redobrar o cuidado com eles. Mesmo a maioria dos casos nessas faixas etárias serem leves ou assintomáticos, crianças e adolescentes podem ser vetores para outras pessoas, sobretudo grupos de risco. Evitar aglomeração em parques, praças e praias e manter a higiene dos utensílios e brinquedos levados e trazidos da escola são medidas que ajudam a proteger contra a covid-19”, observa. Ela lembra que crianças acima de 2 anos de idade já devem usar máscaras.

BOLETIM

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Pernambuco totaliza 303.047 casos confirmados de pacientes com a doença, sendo 32.640 graves e 270.407 leves. Nesta quarta-feira foram 1.613 novos casos da covid-19. Também foram confirmados laboratorialmente 38 novos óbitos, atingindo um total de 11.068 mortes decorrentes do vírus.

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