AJUDA

''Tirei do meu armário e dei a elas''. Moradora de comunidade do Recife passa por cima dos próprios problemas em nome da solidariedade

Ação solidária na Zona Oeste do Recife revelou o gesto fraterno até mesmo de quem acredita pouco ter para contribuir

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 01/05/2021 às 9:00
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BERG ALVEZ/JC IMAGEM
Entrega de cestas básicas na comunidade Caranguejo Tabaiares - FOTO: BERG ALVEZ/JC IMAGEM
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Em momentos de crise, como o que o Brasil enfrenta mediante a pandemia da covid-19, atitudes solidárias representam um sopro de esperança por dias melhores. O fôlego para continuar vem de todas as partes, daqueles que podem ajudar com certa fartura e até mesmo daqueles que fazem do seu pouco um muito para os demais. Na tarde dessa sexta-feira (30), as ruas estreitas da comunidade Caranguejo Tabaiares, localizada na Ilha do Retiro, área central do Recife, foram invadidas pela solidariedade. A Ação de Cidadania Pernambuco Solidário distribuiu 40 cestas básicas às famílias carentes que residem no local. O maior ato de solidariedade, no entanto, veio de uma moradora responsável pelo recrutamento das famílias beneficiadas. Catarina Fernandes, 42 anos, tem uma filha especial, mora numa casa alugada na localidade e não trabalha. Ainda assim, vê-se em condições de ajudar a quem mais precisa.

 


"Gosto muito de ajudar quem precisa, e agradeço a todos que trouxeram as cestas aqui para a nossa comunidade. Muitas mulheres são chefes de família, que recebem o auxílio e, quando ele acaba, a dificuldade fica ainda maior", desabafou.

Ao contar as história das vizinhas, Catarina se depara com a própria realidade. Apesar de sempre estender a mão para quem precisa, a realidade de Catarina também é muito difícil. Ela mora em uma casa alugada com mais três pessoas, entre elas, a filha de 4 anos, que nasceu com paralisia cerebral.

A família sobrevive do benefício da menina, já que Catarina tem que cuidar da criança e, por isso, não tem condições de trabalhar. Ela também recebeu uma cesta básica nesta sexta-feira, mas confessou à reportagem da TV Jornal, que, quando alguém chega até ela precisando de ajuda, tira do que tem para compartilhar com o próximo.

"É difícil. Eu também sofro, porque tenho minha filha especial. Eu vou ficar as pessoas precisando e não ajudar? Eu sou uma sofredora também e fico triste, mas o que eu puder fazer por elas (vizinhas), eu faço. Teve uma vez que chegaram cestas aqui e não deu para dar a todo o mundo. Eu tirei do meu armário e dei a elas", relembra.  

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De acordo com o coordenador da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, Anselmo Monteiro, a prioridade do recebimento das cestas foram as mulheres mães de crianças.

"A prioridade são mulheres com criança, porque nesse tempo de reclusão, por conta da pandemia, é importante que as crianças se mantenham seguras. Além disso, essas mães quase sempre não tem companheiros e recai sobre ela toda dificuldade para sustentar a família", disse em entrevista à Rádio Jornal.

Também moradora da comunidade, há 30 anos, a auxiliar de serviços gerais Diana da Silva, de 45 anos, foi outra pessoa beneficiada com a ação solidária. Ela considera que a ajuda veio em boa hora.

"A gente aperta de um canto, aperta do outro e vai levando. Quando tem as coisas em casa, tem, e quando não tem não há o que fazer", contou a mulher, que se sentiu aliviada com a ajuda. Com o salário que recebe, Diana sustenta a casa. Ela mora com o filho de 14 anos e marido, que tem diabetes e deixou de trabalhar porque precisou amputar os dedos dos pés.

BERG ALVEZ/JC IMAGEM
Entrega de cestas básicas na comunidade Caranguejo Tabaiares - BERG ALVEZ/JC IMAGEM
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Entrega de cestas básicas na comunidade Caranguejo Tabaiares - BERG ALVEZ/JC IMAGEM
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Entrega de cestas básicas na comunidade Caranguejo Tabaiares - BERG ALVEZ/JC IMAGEM
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Entrega de cestas básicas na comunidade Caranguejo Tabaiares - BERG ALVEZ/JC IMAGEM

Além de ajudar as famílias, a iniciativa dessa sexta-feira também busca reforçar a campanha A Fome Tem Pressa, que é promovida pelo Imprensa no Forró, em parceria com os sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas e ABBC Comunicação e conta com apoio de vários artistas pernambucanos.

Corrente solidária

Interessados em fazer parte da corrente de solidariedade pode realizar doações para a campanha A Fome Tem Pressa na sede dos dois sindicatos ou na Sede do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, localizada no Parque do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife.

Também poderão ser feitos depósitos em bancos, como o Bradesco, por meio da conta 9640-7, agência 1055-3 ou Banco do Brasil, através da conta 5633-2, agência 3234-4. Mais informações podem ser obtidas com o coordenador fundador da Ação Pernambuco Solidário, Anselmo Monteiro pelo telefone (81) 9 99799716 (WhatsApp).

 

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