CRIME

'Nunca senti uma dor desse tamanho', diz irmão de mulher morta em loja de rações no Grande Recife

A suspeita de ser a mandante do crime foi presa nesta quinta-feira (30)

Adige Silva
Adige Silva
Publicado em 30/09/2021 às 20:33
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REPRODUÇÃO/TV JORNAL
Roberto, comerciante irmão da vítima assassinada em loja de rações em Abreu e Lima - FOTO: REPRODUÇÃO/TV JORNAL
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O comerciante Roberto Ferreira ainda sente a dor pela morte de sua irmã, Suzana Neves de Almeida, de 29 anos, assassinada na loja de rações da família, na terça da semana passada. Nesta quinta-feira (30), Roberto e os familiares descobriram que uma empresária, dona de uma outra loja de rações que fica localizada próxima ao local, foi a mandante do crime. Para a ele, a prisão faz justiça, mas não apaga a dor que a ausência da irmã causa.

"Quando eu chego aqui é como se o ferimento abrisse de novo. Eu não estou ficando mais na loja como eu estava antes. Quando a gente chega em casa e vê a filha dela perguntando pela mãe, é muito doloroso. Nunca senti uma dor desse tamanho não. Nem eu, nem minha mãe", desabafou o comerciante.

A suspeita de ser a mandante do crime tem 51 anos e foi presa nesta quinta pela Polícia Civil. Roberto é ex-funcionário dela e deixou o local para abrir seu próprio comércio. Segundo ele, a mulher já havia o retaliado antes, mas não imaginava que o caso tomaria essas proporções.

"Depois que falei que iria sair numa boa, na paz. Aparentemente, pareceu que ia ser tudo bem, mas não foi. Quando comecei na loja ela mandou furar os quatro pneus do meu carro. Esperava que isso fosse parar por aí", relata o comerciante.

Segundo a delegada Stefany Azevedo, o fato do comércio de Roberto e da irmã está fazendo sucesso teria motivado o crime.

"A casa de ração prosperava e isso causou uma grande revolta entre ela e o companheiro dela, que se encontra recluso. E fez com que eles arquitetassem o crime. Eles pretendiam também matar o irmão de Suzane, mas os algozes só encontraram Suzane. O crime foi uma execução covarde", relatou a delegada.

Ainda de acordo com Stefany, o irmão da vítima também seria um dos alvos da ação. A mandante teria pago oferecido R$ 25 aos dois autores dos disparos. No entanto, como só a irmã de Roberto foi morta, foi pago apenas R$ 10 mil.

"Quando eu saí daqui e vi que poderia ter sido comigo, penso que é como se eu tivesse ficado para fazer justiça. Eu abracei a causa toda, fiquei na delegacia o tempo todo. Os filhos dela estão com a gente. Agora são nossos filhos também", fala Roberto, visivelmente emocionado.

Operação

Denominada "Concorrência Desleal", a operação tática foi desempenhada por policiais civis da 6ª Delegacia de Homicídios, sob o comando da delegada Stefany Azevedo. Segundo a polícia, a mandante do crime foi autuada em flagrante por posse de arma de fogo e não demonstrou resistência à investida da Polícia. Os agentes cumpriram um mandado de prisão expedido pela Vara de Abreu e Lima.

Segundo o delegado Diego Jardim, oito pessoas estavam envolvidas com o crime, três delas ainda não foram capturadas. A polícia civil continua com as investigações. "São pessoas que foram contratadas, iam receber quantias para matar as vítimas e isso demonstra que já estão inseridos no mundo criminoso", informou o delegado.

O crime

As câmeras de segurança do estabelecimento registraram toda a movimentação. As imagens mostram a vítima entregando o celular a um dos criminosos logo após ser abordada. Em seguida, ela recolhe o dinheiro do caixa e repassa ao outro homem. No momento em que está retirando o relógio do pulso, é baleada.

A mulher foi levada a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz de Rebouças, em Igarassu, e transferida para o Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central do Recife, onde morreu.

À TV Jornal, o irmão da vítima disse que a família acredita que ela tenha sido vítima de um feminicídio porque estava sendo ameaçada por um ex-companheiro que é ex-presidiário. A polícia começou a investigar o crime como latrocínio, que é o roubo seguido de morte, mas não descarta nenhuma outra motivação. 

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