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O que foi o Dia do Grito? Entenda significado do feriado de Olinda

O município de Olinda conta com um feriado nesta quarta-feira (10): o Dia do Primeiro Grito de República do Brasil. Por causa disso, algumas atividades na cidade, como o expediente administrativo da Prefeitura e das repartições públicas, não irão funcionar

Bruna Oliveira
Bruna Oliveira
Publicado em 10/11/2021 às 6:00
REPRODUÇÃO/SITE PREFEITURA DE OLINDA
Local onde ficava localizado o prédio do Senado da Câmara de Olinda - FOTO: REPRODUÇÃO/SITE PREFEITURA DE OLINDA
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O município de Olinda, no Grande Recife, conta com um feriado nesta quarta-feira (10): o Dia do Primeiro Grito de República do Brasil. Por causa disso, algumas atividades na cidade, como o expediente administrativo da prefeitura e das repartições públicas, não irão funcionar. Mas afinal, qual o significado da data? A reportagem do JC conversou com o professor de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) George Félix, que falou sobre o tema.

De acordo com o especialista, a história do Primeiro Grito da República do Brasil está relacionada à Guerra dos Mascates, de 1710. Depois da expulsão dos holandeses em Pernambuco, houve a formação de um grupo de comerciantes, naturais de Portugal, que se instalaram no Recife. Essas pessoas começaram a ficar ricas e formar um patrimônio. No entanto, sofriam preconceito por parte dos senhores de engenho. "O preconceito existia porque muitos comerciantes tinham antepassados de trabalhos manuais. Normalmente eram pedreiros e alfaiates", explicou o professor. 

Apesar da discriminação sofrida, o grupo decidiu se envolver com a política local. Na época, final do Século XVII, eles resolveram que queriam fazer parte do Senado da Câmara de Olinda, onde hoje funciona o Mercado da Ribeira, que era ocupada quase totalmente pelos senhores de engenho. Na ocasião, o Recife ainda não era independente, sendo, assim, um bairro do município olindense. No entanto, apesar da vontade dos comerciantes, os senhores não aceitaram a entrada deles na Câmara.

"Eles [os comerciantes] então pediram ao rei para que a entrada fosse autorizada, mas os senhores de engenho resistiram e fizeram de tudo para evitar. Com isso, eles recorreram mais uma vez ao rei, que dessa vez criou uma solução pouco comum no Brasil colonial", disse o professor George Félix.

A solução encontrada foi criar uma nova Câmara, dessa vez no Recife, para ser ocupada pelos comerciantes. Os senhores de engenho, mais uma vez, não aceitaram a decisão e optaram por tramar a morte do governador da capitania, Sebastião de Castro e Caldas. Após levar um tiro de arma de fogo, Sebastião sobreviveu e, com medo, fugiu para a Bahia.

"A capitania ficou sem governo. Diante disso, no dia 10 de novembro de 1710, os senhores de engenho se reuniram na Câmara de Olinda para decidir sobre o que seria feito. Foi quando Bernardo Vieira de Melo deu a ideia de Pernambuco se separar de Portugal", pontuou o especialista.

A ideia de Bernardo Vieira de Melo era que a República passasse a ser governada pelos senhores, que fosse independente de Portugal. O objetivo era fazer uma República parecida com a de Veneza. Apesar da sugestão, o governo foi entregue ao bispo.

O dia, no entanto, entrou para a história da cidade, já que o brado dado por Vieira de Melo ficou marcado por ser a primeira vez que uma pessoa falou sobre uma República sem que houvesse a monarquia. 

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