BRIGA INTERNA

Presidente do PT no Recife acusa legenda de impor candidatura de Marília Arraes à Prefeitura

Cirilo Mota voltou a defender a aliança com o PSB na capital pernambucana

Amanda Miranda
Amanda Miranda
Publicado em 16/03/2020 às 10:35
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Diretório Nacional do PT determinou candidatura de Marília Arraes no Recife nessa sexta-feira (13) - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Após o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovar uma resolução determinando a candidatura da deputada federal Marília Arraes a prefeita do Recife, o presidente municipal do partido, Cirilo Mota, voltou a defender a aliança com o PSB na capital pernambucana. Em comunicado divulgado nesse sábado (14), ele afirmou que vai manter a discussão e a votação da tática eleitoral no dia 29 de março e acusou a legenda de impor a decisão.

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“Vale salientar que tal ‘decisão’ quebrou todos os pactos firmados anteriormente”, diz o texto assinado por Cirilo Mota.

“Oficialmente, reiteramos a permanência do PT Recife em uma ampla frente de esquerdas. Essa atitude de alguns membros do PT, não respeitando o anseio de inúmeros filiados e militantes, pessoas dos mais diversos gêneros e profissões, em não aceitar uma decisão local e, a todo tempo, criar fatos distorcidos da verdade, é de uma imaturidade política e irresponsabilidade imensas, atitudes que trarão sérias consequências negativas para o partido e a população na eleição municipal de 2020”.

Na última sexta-feira (13), o presidente municipal do partido já havia divulgado uma nota defendendo a aliança com o PSB. Os socialistas têm como pré-candidato a prefeito João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos e primo de Marília Arraes. A petista foi filiada ao PSB, mas rompeu com a sigla nas eleições de 2014.

Cirilo Mota faz parte do grupo do senador Humberto Costa, reeleito em 2018 na chapa do governador Paulo Câmara (PSB). Procurado pelo Blog de Jamildo na última sexta-feira (13), o parlamentar preferiu não comentar a resolução.

O ex-presidente Lula, principal liderança do PT, recebeu as duas alas do partido em São Paulo, em janeiro. Antes disso, em novembro, quando foi solto, esteve tanto com João Campos quanto com Marília Arraes no Recife.

Marília Arraes fez uma pré-campanha ao governo de Pernambuco em 2018, em uma chapa que seria de oposição a Paulo Câmara (PSB). A candidatura dela, no entanto, foi rifada por um acordo nacional entre PT e PSB. Para que os socialistas não apoiassem oficialmente Ciro Gomes (PDT), foi costurada uma aliança nos estados.

Para as eleições municipais deste ano, PSB e PDT voltaram a se unir, com o apoio dos pedetistas ao socialista Márcio França em São Paulo. Durante o evento para formalizar o acordo, os discursos eram de afastamento do PT e de que a aliança poderia se estender para outras capitais. Uma delas pode ser o Recife, onde o partido tem como pré-candidato o deputado federal Túlio Gadêlha, que sofre resistência do presidente estadual da sigla, Wolney Queiroz.

RESPOSTA

Procurada para comentar o comunicado de Cirilo Mota, Marília Arraes defendeu, pela assessoria de imprensa, que a polêmica seja resolvida em debates internos. “Qualquer discussão sobre o partido deve continuar sendo feita internamente e não pela imprensa. Até porque a população não está interessada neste tipo de discussão. As pessoas querem, isto sim, é que a gente debata um projeto para o futuro da cidade. E é este diálogo que quero fazer com a população do Recife”, disse.

A resolução aprovada pelo diretório nacional nessa sexta-feira (13) prevê, além da candidatura de Marília Arraes, que o PT tenha nomes em todas as capitais do Nordeste. São citados os nomes dela, de Márcio Macêdo para Aracaju (SE) e de Fábio Novo para Teresina (PI).

O argumento é de que o partido governa quatro estados na região (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). “O PT precisa manter e consolidar a força política e social que construiu”, diz a resolução. “Essa estratégia de fortalecimento partidário deve ser compreendida no âmbito eleitoral, sem qualquer prejuízo à unidade nacional das forças populares nos esforços contra o projeto de destruição social do governo Bolsonaro”.

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