Democracia

'A Constituição governa quem governa', diz ex-presidente do STF sobre ataques de Bolsonaro ao Congresso

Ex-presidente do Supremo criticou duramente a participação de Bolsonaro em ato que pedia o fechamento do STF e do Congresso

Gabriela Carvalho
Gabriela Carvalho
Publicado em 20/04/2020 às 14:01
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Reprodução/Roda Viva
Ex-ministro do STF, Ayres Britto concede entrevista à Rádio Gaúcha nesta manhã de segunda-feira (20) e falou sobre manifestações de domingo (19) - FOTO: Reprodução/Roda Viva
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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Ayres Britto defendeu a manutenção das instituições democráticas e chanceladas pela Constituição, além de criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por participar de atos deste domingo (19) que foram considerados anti-Congresso.

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Em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (20), Britto afirmou que os recentes ataques do presidente Jair Bolsonaro ao Congresso e ao STF o expõem a um processo de apuração de um eventual crime de responsabilidade.

"O governante que se comporta dessa maneira, atentatória aos princípios, se expõe a um tipo de ação até judicial. O caso, por exemplo, dos crimes de responsabilidade, do impeachment", explicou.

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No último domingo (19), Bolsonaro discursou em manifestação que defendia a reabertura do comércio durante a pandemia de coronavírus e intervenção militar no Brasil.

Para muitos políticos da oposição, ato foi considerado um ataque a democracia, além de ferir medidas de isolamento social contra o coronavírus, defendidas por muitos governadores. 

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O ex-presidente do Supremo reafirmou a responsabilidade de Bolsonaro quanto presidente da República, além de frisar que é compromisso de chefe do Executivo manter e defender a Constituição antes de tudo.

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"A Constituição governa quem governa. Ele não pode pregar contra a democracia, pedir a volta do governo militar. Isso é coisa do passado, superada. Não pode pedir o fechamento do STF. O valor dos valores da Constituição, de que tudo mais é conteúdo, inclusive a federação, é a democracia", enfatizou Ayres.

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