Eleições 2020

João Campos alega que falta de negociação por parte do PT fez com que partido perdesse em toda as capitais

Prefeito eleito defendeu diálogo no bloco da esquerda para eleições presidenciais em 2022

Gabriela Carvalho
Gabriela Carvalho
Publicado em 01/12/2020 às 13:38
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YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
"O bloco estava conversando nacionalmente e o PT abriu mão de fazer parte", afirmou - FOTO: YACY RIBEIRO/ JC IMAGEM
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O prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB), declarou em entrevista à jornalista Andrea Sadi, na GloboNews, nesta terça-feira (1º), que a falta de diálogo por parte do Partido dos Trabalhadores (PT) durante as eleições municipais foi o motivo da derrota dos petistas em todas as capitais do País. O PT deixou de apoiar o bloco do PSB no Recife e em outras capitais para lançar candidaturas próprias nesta eleição.

"O PT não quis fazer parte de bloco nenhum nas eleições de 2020 quando tomou a decisão de lançar candidaturas em quase todas as grandes cidades brasileiras, muitas delas de maneira isolada, e o resultado foi dado pelo povo: nenhuma das capitais brasileiras será administrada pelo PT pelos próximos 4 anos. O bloco estava conversando nacionalmente e o PT abriu mão de fazer parte", afirmou.

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O prefeito eleito também disse em relação ao PT que "não basta falar, é preciso praticar". Campos relembrou que o seu partido abriu mão de disputar as eleições em algumas cidades para priorizar candidaturas de aliados com maior chance de êxito, ou com histórico de relação com as cidade.

João considera que o resultado do PSB nas eleições municipais foi fruto da formação de um bloco progressista entre partidos de centro-esquerda e que o diálogo entre os partidos foi ponto primordial para a vitória do partido e de seus aliados nas capitais.

"A gente viu que as alianças dão certo. Você olha o resultado no Nordeste brasileiro, que sempre foi mais do campo progressista, a gente vê qual o balanço da eleição. É um balanço muito favorável para o PSB e o PDT [partido de sua vice]. A gente tem hoje quatro capitais da nossa região, além das alianças como vices também", comemorou.

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"No Recife, nós temos o PSB como cabeça de chapa e nossa vice, Isabella, do PDT. Você vai para Fortaleza e temos o inverso, o PDT com o PSB. Em Maceió e Aracaju também. Conseguimos mostrar que a capacidade de diálogo político pode ser traduzida em uma aliança eleitoral", pontou. 

João não chegou a responder se o PT teria espaço no movimento de esquerda em 2022, ano de eleições presidenciais e estaduais. O prefeito afirmou que as conversas sobre 2022 ainda estão começando. 

"Passada as eleições, as direções dos partidos vão conversar sobre como vai ser o processo de gestão. São dois anos até a eleição de 2022. Agora ficou muito nítido, no próprio resultado eleitoral, que mostrou que nenhuma capital brasileira vai ser governada pelo PT. Isso não acontecia desde os anos 80. Isso é um sinal que foi dado."

Ciro Gomes em 2022

Após Ciro Gomes (PDT) apoiar a candidatura de João no Recife, o prefeito afirmou que o seu partido discute apoiar uma eventual candidatura de Ciro à Presidência da República em 2022.

"Nós olhamos, sim, com simpatia pelas postulações do nosso campo [da centro-esquerda], incluindo a postulação do companheiro Ciro Gomes", declarou Campos durante entrevista à GloboNews. 

O socialista ainda disse que o PSB de Recife tem conversado com o diretório nacional do PDT e com o próprio Ciro sobre essa possibilidade. Segundo ele, haverá uma reunião com a direção nacional de seu partido na próxima semana para avaliar os resultados das eleições e discutir como será a composição no futuro.

"Isso [possível aliança] vai ser construído no âmbito dos partidos. Eu acho que hoje a relação do PSB com o PDT é muito madura e mostrou que a gente conseguiu traduzir a maturidade política na maturidade também eleitoral", afirmou.

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