Ex-presidente

''Minha cabeça não tem tempo para pensar em candidatura de 2022'', diz Lula

O ex-presidente disse que o PT ainda discutirá a possibilidade de uma frente ampla para disputar a próxima eleição

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 10/03/2021 às 13:38
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Lula concede entrevista coletiva no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC após anulação de suas condenações - FOTO: Reprodução
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Em sua primeira entrevista coletiva após a anulação de suas condenações na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quarta-feira (10), estar feliz pela decisão, "tardia", do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, classificou o governo Jair Bolsonaro como "incompetente", na condução da pandemia do novo coronavírus, e criticou o ex-juiz Sergio Moro. Questionado sobre disputar, mais uma vez, a Presidência da República, o petista disse que a esquerda precisa, primeiro, andar o Brasil, para poder decidir sobre uma candidatura única ou alianças no segundo turno.

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Lula disse que logo após ser vacinado contra a covid-19 deverá percorrer o país e irá dialogar com empresários, com políticos e com a população.  "A eleição de 2022 o PT vai pensar quando chegar o momento de fazer suas discussões, a frente ampla e se dará no ano que vem. Agora, o PT precisa colocar as lideranças para discutir a situação do povo, para discutir vacina, salário, emprego. Não podemos estar em casa com o povo na rua sofrendo. Minha cabeça não tem tempo para pensar em candidatura em 2022. Quando chegar o momento, teremos o imenso prazer de anunciar e discutiremos se será frente ampla ou candidato do PT. Mas ainda temos muito que pensar", disse ele.

Bolsonaro

Durante a entrevista, o ex-presidente também afirmou que "não sabe qual atitude, mas alguma atitude temos que tomar" para a destituição de Jair Bolsonaro. Ele afirmou que se considera "radical", mas só porque gosta de "ir à raiz dos problemas do País". No discurso, o petista disse que governo deve existir para encontrar solução para as pessoas em crise durante a pandemia.

Para Lula, o Brasil precisa obrigar o governo a "comprar vacina, pagar auxílio emergencial e fazer investimentos". Segundo o ex-presidente, o País não pode mais permitir que Bolsonaro "continue governando".

Lula também afirmou que Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, estão "vendendo" o Brasil para o exterior. "Não é possível que preço do combustível siga cotação internacional se nós produzimos petróleo aqui", afirmou na entrevista.

O petista afirma que o governo está se "desfazendo de tecnologia do pré-sal em nome do deus mercado e do petróleo". No discurso, Lula questiona até quando o Brasil terá que pedir licença aos Estados Unidos e Europa para poderem exercer o direito no País. "Será que nós vamos ficar refém do mercado, não importa como?", questionou.

Fachin

Lula agradeceu ao Edson Fachin pela decisão que o tornou elegível, e disse que a "verdade" foi dita. "Tivemos 100% de êxito na decisão do Fachin; tinha 4 processos, de repente desapareceram". Segundo Lula, ele irá continuar a dar declarações e quer "conversar com classe política e com empresários".

O petista disse ter sido vítima da "maior mentira jurídica contada em 500 anos de história" do Brasil. Comparando-se a um escravizado que sofre chibatadas e só escaparia da tortura se pedisse desculpas ao "dono", o petista disse que não está magoado com os julgamentos transcorridos até aqui, apesar de, na sua visão, ter razão para mágoa.

Lula garantiu que continuará brigando na Corte para que Sergio Moro seja considerado suspeito. Com a sessão dessa terça-feira, o placar na Segunda Turma do STF está empatado em 2 a 2, mas há expectativa de que a ministra Cármen Lúcia, que votou contra o pedido da defesa do petista no início do julgamento, em 2018, mude seu posicionamento quando se manifestar novamente. O julgamento foi suspenso após pedido de vistas (mais tempo para análise) feito pelo ministro Kassio Nunes Marques. "Moro não tem direito de se tornar o maior mentiroso do Brasil e ser considerado herói", emendou o ex-presidente.

 

RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA
Prisão de Lula com a Lava Jato fez partido mudar de posição sobre o combate à corrupção - FOTO:RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

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