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Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo pede demissão após atrito com senadores

Chefe do Itamaraty vinha sofrendo pressões para deixar o cargo

JC
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Publicado em 29/03/2021 às 12:31
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O Ernesto Araújo nunca teve chances de liderar nenhuma embaixada de peso do Brasil no Exeterior - FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo. Segundo o jornal O Globo, a informação foi repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados.

O chanceler brasileiro vinha sofrendo um processo de fritura no cargo, nos últimos dias, após embates com senadores, entre eles a senadora Kátia Abreu.

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Os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) chegaram a dizer que iriam enviar para o Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido pelo impeachment do ministro. "Enquanto Ernesto continuar, o povo padece", afirmou Randolfe no Twitter.

Ernesto vinha sendo cobrado por uma melhor articulação para trazer vacinas contra a covid-19 para o Brasil, e para que cessasse o embate com países como a China, pois seria prejudicial para as exportações brasileiras e para o investimento estrangeiro no país. A pressão no ministro ocorria, inclusive, entre, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O embaixador teria se reunido com o presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 29, para entregar seu cargo, segundo o Estadão. Ernesto Araújo passou pouco mais de 800 dias à frente do Itamaraty e vinha sendo contestado dentro e fora do governo. O chanceler cancelou compromissos nesta segunda-feira com autoridades estrangeiras para discutir seu futuro. Ele foi chamado de última hora por Bolsonaro no Palácio do Planalto. Auxiliares diretos do ministro consideram que a situação é "irreversível". Ele também cancelou a reunião geral com secretários, depois de ser convocado ao palácio. O encontro estava previsto para ocorrer ao meio-dia, até que o ministro recebeu o chamado presidencial.

Pacheco

A pressão sobre Ernesto aumentou neste domingo, depois que o ministro acusou a senadora Kátia Abreu (Progressistas-TO) de fazer lobby de chineses durante almoço com ele no Itamaraty. Com o gesto, ele forçou novo embate entre o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. Presidente da Comissão de Relações Exteriores, a senadora disse que apenas defendeu que não haja discriminação à China no leilão do 5G e chamou o ministro de "marginal". Ela recebeu apoio expressivo de congressistas que já cobravam a demissão de Ernesto.

O presidente do Senado se manifestou a favor de Kátia e contra Ernesto Araújo. Rodrigo Pacheco disse que a fala do ministro das Relações Exteriores, foi “um grande desserviço ao País”. Araújo sugeriu que senadores o poupariam de críticas se ele declarasse apoio à adoção de tecnologia chinesa para a rede 5G no Brasil. “Justamente em um momento que estamos buscando unir, somar, pacificar as relações entre os Poderes. Essa constante desagregação é um grande desserviço ao País”, disse Pacheco sobre o ministro.

Ernesto afirmou, no Twitter, que Kátia Abreu teria pedido a ele um “gesto” em relação ao 5G. A congressista teria afirmado que isso faria dele “o rei do Senado”. A senadora rebateu, afirmando que o ministro age de “forma marginal” e “está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira”. E que defendeu que a licitação para a rede de 5ª geração não tivesse “vetos ou restrições políticas”.

Para Rodrigo Pacheco, “a tentativa do ministro Ernesto Araújo de desqualificar a competente senadora Kátia Abreu atinge todo o Senado Federal“. Outros senadores, como  o pernambucano Humberto Costa (PT) e Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do PP, foram às redes sociais criticar as declarações do ministro Ernesto.

Já nesta segunda-feira, poucos minutos após a informação de que Ernesto pediu demissão, Humberto Costa foi às redes criticar a passagem de Ernesto pelo Ministério. "Poucas pessoas foram tão desqualificadas para comandar o Itamaraty como Ernesto Araújo. A sua passagem por lá foi patética e marcada pela destruição de um legado de décadas construído pela diplomacia brasileira em política externa. É mais um que já vai tarde".

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