GRAVAÇÃO

Ouça e leia a íntegra da conversa entre Bolsonaro e Kajuru sobre o STF e a CPI da Covid

Na conversa, o presidente pressionou o senador a ingressar com pedidos de impeachment contra ministros do STF e também orientou que a CPI, se instalada, trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores, o que tiraria o foco exclusivo de seu governo

JC Estadão Conteúdo
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Estadão Conteúdo
Publicado em 12/04/2021 às 23:09
VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL E BETO BARATA/AGÊNCIA SENADO
Divulgação de áudio gerou nova crise no governo - FOTO: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL E BETO BARATA/AGÊNCIA SENADO
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Às vésperas da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado sobre ações e omissões do governo federal na pandemia, o presidente Jair Bolsonaro pressionou o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) a ingressar com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Em conversa por telefone divulgada pelo próprio senador, Bolsonaro dá a entender que, se houver pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte, a instalação da CPI pode ser revista. No telefonema, o presidente também orientou que a CPI, se instalada, trabalhe para apurar a atuação de prefeitos e governadores, o que tiraria o foco exclusivo de seu governo.

Leia e ouça a íntegra da conversa entre Bolsonaro e Kajuru

 

 

BOLSONARO: (…) Então é uma CPI completamente direcionada para a minha pessoa.

KAJURU: Não, presidente. A gente pode convocar governadores.

BOLSONARO: Se você não mudar o objeto da CPI, não pode convocar.

KAJURU: Vou mudar. Quero ouvir governadores.

BOLSONARO: Se mudar, "dez" para você.

KAJURU: Não abro mão de ouvir governadores, em hipótese alguma. Só não quero que você coloque eu no mesmo joio.

BOLSONARO: O que você tem de fazer. Tem mudar o objetivo da CPI, tem de ser ampla. Covid no Brasil, aí você faz um excelente trabalho ao Brasil.

KAJURU: O que quero fazer é isso. Não vou manchar meu nome de forma alguma.

BOLSONARO: Você não é o autor da CPI. O autor, objetivo do autor, não sei quem é… Como está lá é investigar omissões do governo federal na covid, ponto final.

KAJURU: Não é meu caso. Acabei de declarar para o Augusto Nunes, mas eu quero dizer que não posso ser colocado no mesmo joio, né presidente. Nas suas entrevistas, o senhor coloca como se todos nós fossemos iguais, aí não é certo.

BOLSONARO: CPI hoje é para investigar omissões do presidente Jair Bolsonaro, ponto final.

KAJURU: Mas o senhor pode dizer, ‘não é o que pensa o senador Kajuru, que quer fazer uma investigação completa’.

BOLSONARO: Se não mudar, o objetivo da CPI, ela vai só vir para cima de mim.

KAJURU: Mas não vai, presidente. Tem a opinião de outros. São 11 titulares e oito suplentes. A opinião de um não prevalece. Vai prevalecer a quem concordar. Eu não concordo com coisa errada.

BOLSONARO: Tem de fazer para ser uma CPI que realmente seja útil para o Brasil. Mudar amplitude dela. Bota governadores e prefeitos. Presidente da República, governadores de prefeitos.

KAJURU: Fui o primeiro a assinar para governadores e municípios. Pode ver lá. Concordo da amplitude.

BOLSLONARO: Se não mudar, CPI vai simplesmente ouvir Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana.

KAJURU: Aí não.

BOLSONARO: Coisa importante. Você tem de fazer do limão uma limonada. Por enquanto é o limão que está aí. Tá para ser uma limonada. Tem de, acho que você já fez alguma coisa. Tem de peticionar o supremo para botar em pauta o impeachment também.

KAJURU: E o que que eu fiz? O senhor não viu, não?

BOLSONARO: Você fez pressão para investigar quem?

KAJURU: O Alexandre de Moraes.

BOLSONARO: Tudo bem.

KAJURU: Tenho de começar pelo Alexandre de Moraes porque do Alexandre de Moraes, meu, está lá engavetado pelo Pacheco. Só falta ele liberar.

BOLSONARO: Você pressionou o Supremo, né.

KAJURU: Sim, claro, entrei no Supremo. Entrei ontem, Às 17h40.

BOLSONAOR: Parabéns para você.

KAJURU: Sim, eu só queria que o senhor desse crédito a mim nesse ponto.

BOLSONARO: Nós estamos afinados, nós dois. É CPI ampla, investigar ministro do Supremo. Ponto final.

KAJURU: E nunca revanchista.

BOLSONARO: "Dez" para você. Pode deixar que eu, na oportunidade, falo com a mídia e cito que minha conversa contigo, CPI ampla do covid, tá certo? E também o que… que o Supremo, o ministro que…

KAJURU: Exatamente. Se fez com a CPI, tem de fazer também com ministro. Uma coisa justa. Agora o que é difícil para mim é que tenho uma posição, dessa, presidente, e aí todo mundo vem contra mim porque a fala do senhor generaliza todo mundo. Todo mundo que conversar com o senhor como eu, acho que o senhor tem de separar o joio do trigo

BOLSONARO: Qualquer pessoa que eu conversar, digo o seguinte: Kajuru foi bem intencionado, só que a CPI é restrita. Ele agora vai fazer o possível para que seja CPI ampla. Da minha parte, sem problema nenhum. Peticionou supremo, que deve ser o próprio Barroso…

KAJURU: Deve ser, não. Tem de ser, por causa daquela palavra jurídica "pretento". Juridicamente ele é obrigado a opinar. Não pode colocar nome de outro ministro.

BOLSARO: É prevento. Ele vai ter de despachar.

KAJURU: Não pode colocar em mão de outro.

BOLSONARO: Sabe o que acho que vai acontecer.

KAJURU: Macho que fui bem, modéstia à parte.

BOLSONARO: Bem, não. Você foi "dez". Acho que o que vai acontecer. Eles vão recuperar tudo. Não tem CPI nem investigação de ninguém do Supremo.

KAJURU: Ou bota tudo ou zero a zero.

BOLSONARO: Sou a favor de botar tudo pra frente.

KAJURU: Claro, vamo pro pau.

BOLSONARO: Questão do vírus, ninguém vai curar… Não vai deixar de morre gente, infelizmente no Brasil. Vai morrer gente, agora. Podia morre menos gente se os governadores de prefeitos todos, que pegassem recurso, aplicassem realmente em postos de saúde, hospital.

KAJURU: Sou justo. Eu nunca pedi nenhuma agulha para o senhor, senhor sabe disso.

BOLSONARO: Estamos 100% vacinados, tranquilo.

KAJURU: Nunca pedi uma agulha para o senhor, nunca vou pedir. Só quero justiça. Senhor me ajudou no quê? Foi o único Presidente da República da história do Brasil que ajudou diabetes, né? Isso aí é… é toma lá, da cá?

BOLSONARO: Não tem nada a ver.

KAJURU: Tá certo, abraço para você.

BOLSONARO: Parabéns Kajuru, parabéns.

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