ELEIÇÕES 2022

Relação do PDT com o PSB é mais importante que diálogo de momento com Lula, diz Lupi

No entanto, em Pernambuco haverá palanque para Ciro Gomes com ou sem o apoio do PSB

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 19/04/2021 às 19:30
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Rodolfo Loepert/Divulgação
Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, em ato com a militância de João Campos na Zona Sul do Recife - FOTO: Rodolfo Loepert/Divulgação
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“Considero que nós, do PDT, temos uma relação histórica e recente, que é mais importante que qualquer diálogo de momento”. A afirmação é do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao ser questionado pelo JC, sobre como a reaproximação entre PT e PSB poderá interferir na relação que os pedetistas possuem com o partido socialista em Pernambuco, no cenário eleitoral de 2022. Acontece que Lupi orientou os diretórios regionais de que a candidatura do presidenciável Ciro Gomes será a prioridade do partido, o que acabará por implicar diretamente no arco de alianças a ser formalizado, caso os aliados de agora não compactuem deste mesmo projeto político.

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Para o secretário geral do PDT em Pernambuco e presidente do PDT no Recife, Fábio Fiorenzano, tanto no estado quanto na capital “haverá palanque para Ciro Gomes”. No entanto, neste primeiro momento, isso não se traduz na legenda ter uma candidatura própria, a exemplo de 2018. “Naquele ano, nós tivemos candidatura própria muito em função de ter um palanque para Ciro aqui no Estado. Espero que em 2022 não precise [ter candidatura própria] e que o fortalecimento desse palanque parta do PDT, PSB e das frentes progressistas de esquerda. Espero que isso aconteça e estamos batalhando para isso”, afirmou o dirigente.

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Formada “aos 45 minutos do segundo tempo”, a chapa composta pelo ex-deputado federal Maurício Rands pelo PROS, contou com a então ex-vereadora do Recife, Isabella de Roldão (PDT) como vice. Mas, com a participação decisiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PSB conseguiu reeleger o governador Paulo Câmara no primeiro turno da disputa. Já a nível nacional, os socialistas se mantiveram neutros no primeiro turno, vindo a apoiar o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) no segundo turno.

RESISTÊNCIA

Apesar deste histórico recente na esfera estadual e nacional, o PDT tem apostado nos efeitos que a aliança formalizada nas eleições de 2020, o que resultou na vitória do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e da vice-prefeita Isabella de Roldão (PDT), poderá repercutir em 2022. Em entrevista ao jornal O Globo, Ciro criticou a reaproximação do PT e PSB, inclusive com a possível oferta da vaga de vice na eleição de 2022 aos socialistas, caso o ex-presidente oficialize sua candidatura à presidência. “Em Pernambuco, fizeram tudo para derrotar o filho do Eduardo Campos no ano passado, mas agora Lula foi para lá e diz que sempre foi amigo de infância do PSB”, disparou o ex-ministro.

Fábio Fiorenzano ressalta que dentro do PSB existe uma ala bastante resistente ao apoio do PT, o que inclui o prefeito do Recife, mostrando que ao menos na gestão municipal, não há espaço para o partido do ex-presidente Lula. “Essa reaproximação entre o PT e PSB é natural, dada a importância de Lula neste cenário. Ele é um liderança com chances reais, assim como Ciro Gomes também tem . O que nós não vamos abrir mão é da candidatura de Ciro, já o que isso representa a nível de futuro, nós vamos discutir”, declarou Fiorenzano, acrescentando ainda que, o ex-governador do Ceará seria a melhor solução para derrotar o bolsonarismo no país.

Ele também endossa que o PT “entrou pesado” na campanha, principalmente na briga pelo segundo turno, já o seu partido formou uma “coligação muito coesa” com a Frente Popular, e ajudou João Campos a fazer uma campanha mais “propositiva, programática e pragmática”. Ciro Gomes, inclusive, esteve pessoalmente em carreata pelas ruas do Recife, para pedir votos a João Campos.

Hoje, além de ocupar a vice-prefeitura, o PDT também tem o comando da Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional, chefiada pela advogada Adriana Rocha. No Governo do Estado, o partido ocupa a Secretaria de Trabalho, Emprego e Qualificação, sob o comando de Alberes Lopes - eles também aguardam uma readequação de espaços na reforma administrativa a ser concluída pelo governador Paulo Câmara. “A expectativa é que nós vamos marchar com a priorização da candidatura de Ciro Gomes a nível nacional, e vamos continuar dialogando com o ex-prefeito Geraldo Julio, com o governador Paulo Câmara, e o prefeito do Recife João Campos”, comentou Fiorenzano.

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