Operação Akuanduba

Ricardo Salles e Ministério do Meio Ambiente são alvo de busca e apreensão da Polícia Federal

Ação com cerca de 160 policiais e foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e cumpre mandados no Distrito Federal, em São Paulo e no Pará

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 19/05/2021 às 7:40
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
As investigações que deram origem à operação desta quarta começaram em janeiro, de acordo com a PF - FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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A Polícia Federal (PF) cumpre na manhã desta quarta-feira (19) mandados de busca e apreensão em endereços do ministro Ricardo Salles e no Ministério do Meio Ambiente (MMA). A operação, batizada de Akuanduba, conta com a atuação de aproximadamente 160 policiais e tem como objetivo a apuração de crimes como corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando que teriam sido praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

Ao todo, os policiais cumprem 35 ordens judicias determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Distrito Federal, São Paulo e Pará. Por volta das 7h30, três agentes da Polícia Federal (PF) deixaram a sede do ministério carregando malotes. Duas viaturas da corporação seguiam em frente ao prédio da pasta, às 8h10.

As investigações que deram origem à operação desta quarta começaram em janeiro, de acordo com a PF, a partir de informações “obtidas de autoridades estrangeiras” que revelavam um “possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira”.

Além das buscas, o ministro do STF determinou o afastamento preventivo de dez agentes públicos que ocupavam cargos e funções de confiança no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Despacho suspenso

A decisão também suspende um despacho do Ibama, de 2020, que permitia a exportação de produtos florestais sem a necessidade de emissão de autorizações. Segundo a PF, o despacho teria sido elaborado a pedido de empresas com cargas apreendidas no exterior e resultou na regularização de cerca de 8 mil cargas de madeira ilegal.

“Estima-se que o referido despacho, elaborado a pedido de empresas que tiveram cargas não licenciadas apreendidas nos EUA e Europa, resultou na regularização de mais de 8 mil cargas de madeira exportadas ilegalmente entre os anos de 2019 e 2020”, informou a PF.

Nome da operação

A corporação informou que o nome da ofensiva, Akuanduba, faz referência a "uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o Estado do Pará". "Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem", registrou a PF em nota.

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