Eleições 2022

'PSDB deve lançar candidato e o apoiarei', reforça Fernando Henrique Cardoso após almoço com Lula

Os tucanos têm prévias agendadas para o fim de 2021 para decidir quem vai representá-los nas urnas no próximo ano. Estão no páreo João Doria, Eduardo Leite, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 21/05/2021 às 15:02
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NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO
Exerceu a vice-presidência nas duas vezes em que fui Presidente. Se me pedirem uma palavra para caracterizá-lo diria: lealdade. Viajei muito, sem preocupações: Marco exercia com competência e discrição as funções que lhe correspondiam. Deixa saudades." Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República - FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO CONTEÚDO
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Depois de dizer que votaria em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um cenário de segundo turno onde o ex-presidente aparecesse ao lado de Jair Bolsonaro (sem partido) e de reunir-se com o petista para um almoço, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) veio a público nesta sexta-feira (21) reafirmar, "para evitar más interpretações", que vai apoiar em 2022 um candidato do PSDB à presidência. Os tucanos têm prévias agendadas para o fim de 2021 para decidir quem vai representá-los nas urnas no próximo ano. Até o momento, estão no páreo os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, além do ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, e o senador Tasso Jereissati.

"Reafirmo, para evitar más interpretações: PSDB deve lançar candidato e o apoiarei; se não o levarmos ao segundo turno, neste caso não apoiarei o atual mandante, mas quem a ele se oponha, mesmo o Lula", frisou FHC.

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Pela manhã, Lula divulgou uma foto ao lado de Fernando Henrique comentando sobre o encontro entre os dois, que teria sido articulado pelo ex-ministro Nelson Jobim. O petista confirmou nesta semana que pretende disputar a eleição em 2022 e tem conversado com forças políticas de esquerda e de centro para fortalecer essa possível postulação.

Apesar de ter enfrentando Lula por duas vezes nas urnas, em 1994 e 1998, FHC declarou ao jornal Valor Econômico que já votou no petista e que votaria novamente, caso ele fosse a única alternativa possível para evitar a reeleição de Bolsonaro. "Já votei no Lula. Difícil que Lula seja representante da terceira via, embora ele, na alma, seja isso. Ele simboliza e tem eco", pontuou o tucano no último dia 14.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os gestos de FHC teriam causado incômodo entre os tucanos, o que pode justificar o tweet desta sexta. "Esse encontro ajuda a derrotar Bolsonaro, mas não faz bem a um potencial candidato do PSDB", afirmou o presidente nacional da legenda, Bruno Araújo, à publicação. 

PSDB

No fim do mês de abril, o PSDB nomeou a comissão partidária que irá tratar das prévias presidenciais do partido, agendadas para o dia 17 de outubro. Participam do grupo o ex-presidente nacional do PSDB, José Aníbal; a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro; o líder do partido no Senado, Izalci Lucas; os deputados federais Lucas Redecker (RS) e Pedro Vilela (AL); o presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi; e o ex-deputado Marcus Pestana.

Essa espécie de eleição interna está prevista no Estatuto da sigla e deve ocorrer "sempre que houver mais de um candidato disputando a indicação". Até o ano passado, era dado como praticamente certo que João Doria seria o escolhido do partido para o pleito, mas algumas movimentações do governador, como a tentativa de tomar o comando do partido para si, acabaram mudando significativamente essa realidade.

Atualmente, há uma ala da agremiação que defende a postulação de Eduardo Leite e têm ganhado força as vozes que querem que Tasso Jeireissati encabece a chapa do partido. Há, nos bastidores, quem chame o parlamentar de Biden brasileiro, uma referência ao presidente dos Estados Unidos.

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