Manifestação

''O desafio a levar spray de pimenta no rosto e permanecer de pé'', diz Liana Cirne sobre coronel da reserva que a criticou

O coronel Souza Filho chamou a reação da vereadora ao ser atingida no rosto por spray de pimenta no ato contra Bolsonaro no último sábado (29) como "palhaçada política"

Mirella Araújo Luisa Farias
Mirella Araújo
Luisa Farias
Publicado em 31/05/2021 às 21:09
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MALU AQUINO/DIVULGAÇÃO
VÍTIMA Liana Cirne foi recebida por Paulo Câmara e Luciana Santos no Palácio do Campo das Princesas - FOTO: MALU AQUINO/DIVULGAÇÃO
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A vereadora do Recife Liana Cirne (PT) rebateu as críticas feitas pelo coronel da reserva da Polícia Militar conhecido como "Souza Filho" de que, ao ser agredida com spray de pimenta por um policial durante a manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado (29). 

O coronel Souza Filho postou um vídeo na sua página do Instagram comentando o pronunciamento do governador Paulo Câmara (PSB) em que ele afirma ter ordenado o afastamento do oficial responsável pela ação policial e o policial que agrediu a vereadora.

"O governador falou que ia mandar apurar, prender, afastar os policiais porque o policial deu um jato com spray de pimenta. Eu vi o vídeo e nunca vi na minha vida ninguém cair, desmaiar com um sprayzinho de pimenta. Ela se jogou. Foi uma palhaçada política", afirmou. 

Em entrevista à Rádio Jornal nesta segunda-feira (31), quando questionada sobre as declarações do coronel, Liana respondeu: "Primeiro, eu quero que ele demonstre coragem porque bocão todo mundo tem, mas ter coragem é para poucas e poucos. Eu o desafio a levar uma rajada de spray de pimenta no rosto como eu levei a um palmo de distância com a intensidade que foi e ele permanecer de pé. Se ele permanecer de pé, aí sim ele se digne a pronunciar meu nome. Até então eu vou tratá-lo como tudo indica que ele seja: um cabra frouxo", afirmou Liana. 

Segundo a vereadora, ela não estava participando do ato, mas se deslocou para o local onde os manifestantes estavam para prestar atendimento jurídico após receber solicitações no seu gabinete. Ela foi atingida com spray de pimenta na Ponte Princesa Isabel por um policial que estava no banco de trás de uma viatura da Radiopatrulha. No local havia um bloqueio de viaturas. Em um vídeo, é possível ver ela seguindo os policiais que estão entrando na viatura e tentando falar com eles. Mas ao se aproximar ela foi atingida e caiu no chão, amparada por uma mulher. Em seguida, a viatura sai do local. 

 
 
 
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Ela relata que se deparou com um grupo de manifestantes "que fugia da perseguição policial". Foi quando foi em direção aos policiais portando a sua carteira de identificação de vereadora. 

"Isso é muito importante inclusive, porque um dos policiais fez um boletim de ocorrência contra mim e neste boletim de ocorrência ele disse que eu não me identifiquei como vereadora, que ele só soube que eu era vereadora quando ele chegou à Central de Plantões. A minha carteira com o brasão da Câmara Municipal, a palavra vereadora estava bem identificada e eu como representante do povo do Recife, entendo que eu tinha o dever de não ser passiva ao testemunhar as violências que eu presenciei. Então agi", conta Liana. 

Reunião com Paulo Câmara

Liana foi recebida na tarde desta segunda-feira (31) pelo governador Paulo Câmara, a vice-governadora Luciana Santos (PCdoB) e o secretário da Casa Civil, José Neto. Ela estava acompanhada do presidente da Câmara Municipal do Recife, vereador Romerinho Jatobá (PSB). 

Na ocasião, a parlamentar entregou uma representação disciplinar contra os policiais envolvidos nos acontecimentos e uma solicitação de acompanhamento da sindicância instaurada pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. 

 

"Solicitei não apenas o afastamento dos policiais que comprovadamente, por meio de inúmeras provas documentais e vídeos, cometeram ilícitos na execução de uma ordem que foi ainda mais ilícita. Porque houve um comando e é necessário saber quem deu esse o comando e que comando foi esse", disse a vereadora. 

Ela também informou ao governador que entraria com uma ação por danos morais coletivos. A intenção é que o valor por uma eventual indenização seja revertido para serem aplicados na formação dos policiais militares. "O governador mostrou interesse na minha ideia porque inclusive eu propus que fosse criado um curso preparatório para concurso de policiais gratuito com foco no estrito cumprimento da legalidade", disse. 

Paulo Câmara ratificou determinação de investigação rigorosa do caso. "Prestei minha solidariedade à vereadora Liana Cirne e assegurei a ela que o ocorrido no último sábado não é a postura institucional da Polícia Militar de Pernambuco. Todos os envolvidos já identificados foram afastados e a Corregedoria e a Polícia Civil estão atuando para apurar as demais responsabilidades. Repudiamos a violência e teremos uma investigação rigorosa de todos os fatos", afirmou o governador. 

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