Entrevista

Vereador pede que população do Recife não tenha ''preconceito'' de receber a 'xepa' da vacina contra a covid-19

Paulo Muniz é autor de um requerimento que pede cadastro da fila para receber a 'xepa' da vacina contra a covid-19; a Prefeitura pode ou não acatar

Cássio Oliveira Luisa Farias
Cássio Oliveira
Luisa Farias
Publicado em 30/06/2021 às 18:20
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CHAIDEER MAHYUDDIN / AFP
A decisão foi tomada após a Anvisa ser comunicada pela empresa indiana Bharat Biotech de que a Precisa Medicamentos não possui mais autorização para representar a empresa. - FOTO: CHAIDEER MAHYUDDIN / AFP
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Atualizada em 02/07/2021

O vereador Paulo Muniz (SD) pediu, nesta quarta-feira (30), em entrevista à Rádio Jornal, que a população do Recife não tenha receio de  tomar sobras de doses da vacina contra a covid-19, chamadas popularmente de "xepa". Muniz é autor de um requerimento (nº 5737/2021) aprovado na Câmara do Recife que propôs à Secretaria de Saúde Municipal um sistema de cadastro e convocação para regulamentar a aplicação das sobras. 

"A Câmara está muito voltada para a covid-19, apresentamos requerimento para que a Prefeitura organize a logística e utilize a xepa. É a sobra, tenho receio do termo, mas é o popular, para que as pessoas não tenham preconceito, é usar uma dose daquele cidadão que não foi, por exemplo, pois aquela sobra esta sendo descartada e cada vida importa", afirmou.

Cabe destacar que o requerimento é um instrumento que os parlamentares dispõem para solicitar informação, alguma providência regimental (no caso do legislativo) ou administrativa a um órgão ou poder público. Sendo aprovado pela maioria, ele é encaminhado o destinatário, que pode ou não atender ao pedido. "No que pudermos ajudar a prefeitura, dar ideia, é nosso papel. O requerimento foi aprovado, encaminhado e estamos no pé para que o prefeito, com sensibilidade, organize essa xepa", disse o vereador. Muniz ainda destacou que não cabe aos vereadores, mas à Prefeitura definir os critérios de quem tomaria essa dose que sobrou e a fiscalização deve ser feita pela Secretaria de Saúde.

O vereador Alcides Cardoso (DEM) também é autor de um requerimento, nº 4458/2021, aprovado por maioria absoluta, solicitando ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), para estabelecer, de forma clara e precisa, os protocolos e as diretrizes para utilização das sobras de doses dos imunizantes.

"Aprovamos este requerimento referente à necessidade de um acompanhamento permanente e efetivo, uma fiscalização séria na condução do processo de vacinação contra a Covid-19 e na utilização das sobras. Cabe à Prefeitura determinar as regras, informar à população todos dados e ser transparente nessa questão. Nenhuma gota dos imunizantes contra a Covid-19 pode ser desperdiçada e todos devem ser vacinados o quanto antes", defendeu Cardoso.

De acordo com o democrata, "há dados divulgados nos veículos de comunicação e nas redes sociais que, até o início de abril deste ano, cerca de 3%, ou aproximadamente 12 mil pessoas, que agendaram a vacinação contra a Covid-19 ainda não compareceram a um dos pontos de imunização da capital pernambucana para concluírem a sua imunização”, explicou.

Validade

O imunizante tem uma validade pequena após ter seu frasco aberto e, portanto, o recomendado é que todas as doses sejam aplicadas imediatamente. A validade da Janssen (Johnson & Johnson) e da Pfizer é de seis horas, o da Coronavac/Butantan é de oito horas.

No caso da Astrazeneca, caso o frasco esteja sob refrigeração (2ºC a 8ºC), a validade é de de 48 horas, mas se estiver em temperatura ambiente, é de apenas seis horas. Os frascos da Astrazeneca e CoronaVac possuem 10 doses, da Pfizer, seis doses e da Janssen, cinco doses.

As doses que sobram ao final do dia é que são chamadas de "xepa", e podem ser aplicadas eventualmente em pessoas que não integram os grupos prioritários. "Essas sobras, juntamente com outras, dão uma dose que pode salvar uma vida", afirmou Paulo Muniz durante a sessão. 

Transparência

Em cidades como São Paulo, Goiás e Belo Horizonte, já é adotado um cadastro de pessoas fora dos grupos prioritários que desejam receber as doses remanescentes dos frascos. "A Prefeitura do Recife pode criar um sistema de cadastro e convocação para que as pessoas possam tomar essa 'xepa' da vacina, de forma a evitar quaisquer desperdícios e, ainda, aumentando a transparência", diz a justificativa do requerimento de Paulo Muniz. 

Ele cita Conecta Recife, a plataforma de serviços da Prefeitura do Recife que, possibilita, inclusive, o agendamento da vacinação contra a covid-19, sugerindo uma atualização do sistema incluindo a opção de cadastro para receber as sobras. 

Durante a sessão, o vereador Alcides Cardoso  também saiu em defesa da regulamentação da aplicação da sobras dos frascos. "Até abril foram dadas 12 mil doses de “xepa”. Em quem foram dadas estas doses que sobraram?", questionou o vereador. 

Secretário

O secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, explicou no início de junho que a orientação é para que os municípios prevejam no seu planejamento a aplicação das doses restantes para evitar o desperdício. "Os municípios devem ter, dentro de seu planejamento, um escape para eventualidade de haver sobra de doses no fim do dia. Há muitas cidades que relatam haver eventualmente falta de pessoas previamente agendadas, o que resulta na sobra de algumas doses no fim do dia", afirmou o secretário.

"Essas pessoas devem ficar de sobreaviso nos esquemas montados pelos próprios municípios. Na preferência, deve-se sempre aplicar essas vacinas que sobram, no fim do dia, naqueles grupos prioritários", completou Longo. 

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