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Integrantes dos Três Poderes reagem em prol das eleições

Integrantes dos Três Poderes reagiram nesta quinta-feira (22) às revelações de que o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, teria dito há 15 dias que não haveria eleição em 2022, caso a proposta de emenda constitucional instituindo o voto impresso não fosse aprovada

Estadão Conteúdo Paulo Veras
Estadão Conteúdo
Paulo Veras
Publicado em 22/07/2021 às 23:32
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CAROLINA ANTUNES/PR
Ministro da Defesa, Braga Netto negou episódio, em meio às reações conjuntas nos três Poderes - FOTO: CAROLINA ANTUNES/PR
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Integrantes dos Três Poderes reagiram nesta quinta-feira (22) às revelações de que o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, teria dito há 15 dias que não haveria eleição em 2022, caso a proposta de emenda constitucional instituindo o voto impresso não fosse aprovada pelo Congresso. Manifestações em defesa da democracia e das instituições se somaram a uma série de convocações para que o chefe das Forças Armadas preste esclarecimentos.

Segundo o Estadão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebeu o recado de Braga Netto, transmitido por um importante interlocutor político - um dirigente partidário - no último dia 8. Num domingo, três dias depois, Lira conversou com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada, e avisou que não aceitaria qualquer ruptura institucional. Bolsonaro afirmou, então, que nunca havia defendido um golpe. Lira observou que todos os sinais iam nessa direção, uma vez que o próprio Bolsonaro havia dito, no próprio dia 8, a mesma frase: "Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições".

Na avaliação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, o sistema eleitoral do País "encontra-se desafiado pela retórica falaciosa, perversa, do populismo autoritário". Para Fachin, que também é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não é de se espantar que um "líder populista" deseje "criar suas próprias regras para disputar as eleições".

O ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou, por sua vez, que "não há espaço para coações autoritárias armadas" nas instituições democráticas. "Os representantes das Forças Armadas devem respeitar os meios institucionais do debate sobre a urna eletrônica. Política é feita com argumentos, contraposição de ideias e, sobretudo, respeito à Constituição. Na nossa democracia, não há espaço para coações autoritárias armadas", argumentou.

Seis dos 11 ministros do Supremo discutiram ontem a redação de uma nota conjunta, em nome da Corte, repudiando ameaças ao processo democrático do País. Mas a nota divulgada por Braga Netto, dizendo que "as Forças Armadas atuam e sempre atuarão dentro dos limites previstos na Constituição", foi considerada um recuo de qualquer ameaça golpista. Por isso, os ministros resolveram não se pronunciar conjuntamente para não inflamar mais o ambiente político.

CONGRESSO

No Congresso, a reação também foi imediata, apesar do recesso parlamentar. Lira negou publicamente que o episódio tenha ocorrido. Mas, em nota, mandou um recado: "o brasileiro quer vacina, quer trabalho e vai julgar seus representantes em outubro do ano que vem através do voto popular, secreto e soberano".

Ainda mais incisivo foi o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), segundo quem "seja qual for o modelo, a realização das eleições não está em discussão". "Isso é inegociável. Elas irão acontecer, pois são a expressão mais pura da soberania do povo. Sem elas, não há democracia, e o país não admite retrocessos", disparou ainda o senador.

No âmbito do Executivo, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse ser "lógico" que haverá eleições no Brasil. "O Brasil não é uma republiqueta de bananas", afirmou Mourão.

Em live, Bolsonaro não quis comentar as declarações de Braga Netto. "A resposta está na nota dele", disse. Mesmo assim, o presidente voltou a defender o voto impresso. "Tem que haver eleição. Tem que haver voto. Mas eleição transparente. Não queremos desconfiança."

As urnas eletrônicas já são auditáveis através de uma série de mecanismos como a zerésima, o boletim de urna e o registro eletrônico do voto. Os aparelhos também não são conectados a Internet e seu software é assinado pela Justiça Eleitoral, o que torna adulterações perceptíveis.

 

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