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Pré-candidato à presidência, Mandetta acena ao eleitor religioso e diz que, sem unidade, terceira via não tem chances em 2022

Ex-ministro da Saúde foi entrevistado por uma rádio pernambucana nesta segunda. O ex-governador Mendonça Filho (DEM) e a deputada estadual Priscila Krause (DEM), que são colunistas da emissora, participaram do bate-papo

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 09/08/2021 às 18:59
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JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
Luiz Henrique Mandetta (DEM) - FOTO: JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
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Durante entrevista à Rádio Marano FM, de Garanhuns, no início da tarde desta segunda-feira (9), o ex-ministro da Saúde e pré-candidato à presidência da República Luiz Henrique Mandetta (DEM) fez acenos ao eleitorado conservador e religioso do País, criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Lula (PT), contou a sua história de vida e disse que, sem unidade, o centro democrático brasileiro não tem chances de vencer as eleições de 2022. Além dos apresentadores do programa Quarto Poder, participaram da entrevista o ex-governador Mendonça Filho (DEM) e a deputada estadual Priscila Krause (DEM), que são colunistas da emissora.

Mandetta, que é médico ortopedista, contou que é neto de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil pelo Porto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, estado onde ele nasceu. O democrata disse que teve uma infância tranquila, mas que sempre se envolveu em ações sociais, pois, segundo ele, nunca se conformou com desigualdades, característica que também o levou a entrar na política, tendo cumprido dois mandatos de deputado federal, além da experiência no governo federal.

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No bate-papo, o democrata fez questão de frisar que nunca usou a sua religião politicamente, mas destacou que é católico e, inclusive, a sua religiosidade tem influência sobre o trabalho que exerce enquanto homem público. "Quanto mais a gente estuda, mais religioso a gente fica, mais o mistério da fé provoca na gente a necessidade de acreditar em Deus, acreditar em uma força maior. Eu sou católico praticante, tenho uma relação muito intensa com a minha religião, mas nunca a usei para fazer campanha. Todas as religiões são dignas e inspiram os seres humanos a serem melhores, e isso daí divide as pessoas que têm a religiosidade como ponto de valores, de preservação da vida", observou.

Em seguida, o ex-ministro relatou a relação que a sua família tem com a religiosidade e disse que a fé será "decisiva para o futuro do Brasil" além de ser importante para que a população faça boas escolhas nas urnas em 2022. "A religião é o que te dá a base para que você tome as decisões que precisa tomar. Eu tenho isso muito forte, assim como a minha mulher e meus filhos. Eu sou casado com a Terezinha há 31 anos, nós temos três filhos, a Marina com 29, o Pedro com 26 e o caçula, com 23. Os três estudados, os três formados e encaminhados muito fortemente na religião. Isso é uma característica do povo brasileiro, os evangélicos, os cristãos, os espíritas, todos aqueles que têm uma fé muito forte tiram forças sabe-se lá da onde para lutar. Quando eu vejo um brasileiro com tanta privação, eu penso: essa gente tem tanta fé, a gente vai dar certo, é só chegar a hora da gente fazer boas escolhas. E estamos aí, na véspera de um ano em que a fé vai ser decisiva para o futuro do Brasil", pontuou.

Em defesa de uma "pacificação" do ambiente político brasileiro, Mandetta criticou o que considera a polarização que tem dominado o País nos últimos anos e disse que acredita, sim, na viabilidade eleitoral de um candidato de centro. "Quando a gente olha as pesquisas e analisa o percentual daqueles que não querem nem Lula nem Bolsonaro, isso passa de 50% da população. Mais da metade do Brasil está esperando o cardápio, quais são os caminhos. Esses dois todo mundo conhece. Não tem ninguém que não sabe o que vai acontecer no dia após o segundo turno entre esses dois. Você acha que o Brasil vai pacificar?", questionou o democrata.

Com base nesses números, o ex-ministro da Saúde afirma que o seu partido "tem um trabalho novo para apresentar" e defende que o centro lance apenas uma candidatura, para tentar forçar uma ida para o segundo turno. "Qual o trabalho do Democratas? Dizer sim, temos um trabalho novo para apresentar com muita garra, mas partido do pressuposto que a gente está aqui para unir. Se fragmentar, se tiver 4, 5 ou 6 candidaturas você está conspirando para dar esse terror de ficar na polarização. Vários partidos, como o MDB, o PV, o DEM, estão construindo propostas que sejam convergentes. A fase de nomes deve se iniciar no fim desse ano", detalhou.

"A grande maioria do povo brasileiro quer um bom debate, quer conhecer, saber de onde (o candidato) veio. Se isso for feito por muitas vozes, vai ser uma força avassaladora na eleição. E quando eu vejo o Lula e o Bolsonaro dizendo que não vai ter terceira via é porque nós estamos no caminho certo. É óbvio que nós vamos ter uma eleição em que essa terceira via vai para o segundo turno, seja contra Bolsonaro ou contra Lula, e vai ganhar porque os dois se odeiam tanto que vão votar em que for impor a derrota ao outro" cravou o Mandetta.

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