Eleições 2022

Com ou sem Geraldo Julio, aliados não acreditam que o PSB vá abrir mão da disputa pelo Governo de Pernambuco em 2022

Possível saída de Geraldo Julio da disputa de 2022 movimentou o PSB e aliados

Mirella Araújo Renata Monteiro
Mirella Araújo
Renata Monteiro
Publicado em 20/08/2021 às 8:51
ALEXANDRE GONDIM / JC IMAGEM
PRIMEIRA OPÇÃO Ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio tem dito e reiterado que não disputará o governo - FOTO: ALEXANDRE GONDIM / JC IMAGEM
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A notícia de que o ex-prefeito Geraldo Julio pode não concorrer ao governo do Estado em 2022 repercutiu entre aliados do PSB. Lideranças de partidos que compõem a Frente Popular demonstraram certa resistência em tratar abertamente sobre possíveis desentendimentos no PSB relacionados ao pleito do próximo ano, muito embora alguns desses caciques, como o deputado federal Sebastião Oliveira (Avante), por exemplo, já tenham declarado publicamente seu apoio à postulação de outros socialistas que não Geraldo.

Quando questionados se haveria chances do PSB abrir mão da vaga para o governo estadual na chapa majoritária, porém, todos parecem pensar da mesma forma, e dizem que isso é praticamente impossível de acontecer.

“Eu não creio que o PSB vá abrir mão da cabeça de chapa. Eles vão discutir internamente essa questão da candidatura e devem acabar se entendendo. Mesmo que Geraldo não queira disputar, o PSB não é um partido de uma nota só, eles têm outros bons nomes, como o secretário José Neto, os deputados Danilo Cabral e Tadeu Alencar, e podem até filiar alguém como o ministro José Múcio Monteiro. Opções não vão faltar”, declarou um aliado dos socialistas que preferiu não se identificar.

Uma outra fonte ligada à Frente Popular afirmou que a aparente resistência ao nome de Geraldo no PSB e na coligação pode não necessariamente estar ligada a uma antipatia à figura do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, mas aos interesses pessoais de parte dos líderes desse grupo. “Claro que essas confusões que aparecem nos jornais refletem, de alguma forma, a realidade que existe dentro do partido. Aparentemente há conflitos dentro do PSB, mas eu acho que eles são capazes de contornar isso. Agora, sobre essa suposta rejeição ao nome de Geraldo entre os partidos da coligação, é necessário analisar caso a caso. É possível que ela ocorra realmente ou pode ser uma forma que algumas pessoas encontraram para se valorizar, pois podem vir a ser consideradas para consultas do candidato ao governo no momento da construção de uma unidade”, observou.

Geraldo Julio tem pontuado nos últimos meses de que não será candidato a governador e, diante deste cenário, alguns nomes começam a surgir como possíveis quadros a serem considerados na bolsa de apostas. A ausência nas recentes agendas do governador Paulo Câmara pelo interior do Estado e nas coletivas de imprensa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para tratar das ações do Executivo no enfrentamento da covid-19, além dos escândalos envolvendo contratos da Secretaria de Saúde e Educação, em sua gestão, que estão sendo investigados pela Polícia Federal e órgãos de controle, são alguns dos pontos que levantam dúvidas a respeito de sua permanência na disputa.

Ainda assim, uma fonte ligada ao Palácio do Campo das Princesas, afirma que o ex-prefeito tem realizado uma articulação interna ao reconhecer a postura de recolhimento de Geraldo em eventos com mais visibilidade. “Não existe outra hipótese hoje no PSB, que não seja a candidatura de Geraldo. O que temos construído hoje no partido, é o nome dele e não tem nada diferente disso”, frisou.

Posição do partido

De acordo com o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, que enviou nota à coluna Cena Política na quinta-feira (19), o partido “não discute eleições agora”. “Engana-se quem pensa que o pleito majoritário é a prioridade atual do nosso partido. O PSB de Pernambuco, representado pelo conjunto de lideranças que integram a gestão e liderado pelo governador Paulo Câmara, está trabalhando arduamente no combate à pandemia da Covid-19, na retomada de investimentos para Pernambuco, na geração de emprego e na ampliação de políticas sociais a quem mais precisa. É isso que o povo precisa neste momento e é isso que estamos focados em fazer”, frisou o dirigente, em um dos trechos.

A postura de Sileno em meio a esses rumores de conflitos entre os socialistas difere e muito de gestos adotados por ele anteriormente, em situações em que o nome de Geraldo foi posto à prova e ele declarou que o ex-prefeito seria “o melhor quadro para o PSB disputar o governo de Pernambuco”.

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