"A Praça é dos Três Poderes"

Signatários de manifesto empresarial são pegos de surpresa por decisão de Paulo Skaf de adiar o lançamento do documento

Skaf decidiu monocraticamente adiar o lançamento do manifesto após conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) e em meio à pressão do governo federal, através dos bancos públicos BB e Caixa Econômica Federal, sobre a Febraban

Renata Monteiro
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Publicado em 30/08/2021 às 16:42 | Atualizado em 30/08/2021 às 17:14
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Paulo Skaf, presidente da Fiesp - FOTO: Foto: Agência Brasil
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Informações publicadas pelo jornal O Globo na tarde desta segunda-feira (30) apontam que a notícia de que o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiepe), Paulo Skaf, adiou a publicação de um manifesto sobre a crise política do país, prevista para esta terça (31), gerou incômodo entre empresários e industriais do Estado. De acordo com fontes do periódico, a determinação não teria sido informada oficialmente aos cerca de 200 signatários do documento, que ficaram sabendo pela imprensa do recuo.

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Skaf foi um dos organizadores do manifesto e atuou colhendo assinaturas para a iniciativa, intitulada "A Praça é dos Três Poderes". O presidente da Fiepe, que deixa o comando da entidade em quatro meses, sempre esteve ligado ao bolsonarismo.

Conforme os dados publicados pelo jornal do Rio de Janeiro, Skaf decidiu monocraticamente adiar o lançamento do manifesto após conversa com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP) e em meio à pressão do governo federal, através dos bancos públicos BB e Caixa Econômica Federal, sobre a Febraban, uma das entidades que articulou o documento. Em reserva, o dirigente de uma grande entidade setorial disse ao Globo que a reação do governo Bolsoanro de tomar o manifesto como uma afronta contrasta com o teor "água com açúcar" do texto.

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O movimento de Skaf, porém, foi tomado como um golpe contra a veiculação do documento, que pode prejudicar outras manifestações do setor que já estavam sendo articulados para o pós-7 de setembro.

Uma outra fonte, desta vez ligada a uma associação industrial, disse ao jornal que os signatários foram informados de que o manifesto seria publicado antes do 7 de setembro, e que publicá-lo depois não faria mais sentido. Segundo esse mesmo dirigente, uma mudança de data implicaria perda de assinaturas.

Confira, abaixo, a íntegra do manifesto a que O Globo tece acesso nesta segunda:

A praça dos três Poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes.

Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles.

Este princípio está presente de forma clara na Constituição Federal, pilar do ordenamento jurídico do país. Diante disso, é primordial que todos os ocupantes de cargos relevantes da República sigam o que a Constituição nos impõe.

As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas.

O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população.

Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira.

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