NOVA DENÚNCIA

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro diz que 'rachadinha' era comandada por ex-esposa do presidente

Segundo ex-funcionário, que trabalhou para a família Bolsonaro por 14 anos, esquema era operado no gabinete de Flávio, na Alerj, e replicado no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 03/09/2021 às 7:26
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ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
Senador Flávio Bolsonaro - FOTO: ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO
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Um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no período em que ele foi deputado estadual no Rio afirmou que Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ficava com pelo menos 80% de seu salário e do de outros funcionários. A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Guilherme Amado, do site Metrópoles.

Segundo Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, que trabalhou para a família Bolsonaro por 14 anos, Ana Cristina comandou o esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Alerj, replicado no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

“[Ela] Ficava com bem mais do que eu. E eu trabalhava, hein? Das pessoas que não trabalhavam, que eram só laranjas, ela ficava com praticamente tudo. Só dava uma mixaria para usar o nome e a conta da pessoa. Eu ainda ganhava mais ou menos, porque eu trabalhava”, disse Santos.

"Por exemplo: para o pessoal de Resende [cidade do RJ], ela só dava um 'cala boca' para usar o nome e a conta, porque eles não trabalhavam, né? Ela é quem comia o dinheiro todo. Aí o que acontece: quando o Carlos foi eleito, o Carlos era uma criança, vivia no gabinete dele jogando videogame, com 17 para 18 anos, tanto que foi ela quem assumiu a chefia de gabinete do Carlos. Foi onde ela começou com isso. Mas o Carlos ainda morava com a mãe, não passava necessidade nenhuma, ainda estava começando a vida ainda, o pai sempre deu tudo", afirmou.

Segundo o relato, o ex-funcionário trabalhou na campanha de 2002 de Flávio para deputado estadual. De 2003 a 2007, foi lotado no gabinete do político. Depois da separação de Bolsonaro e Ana Cristina, em 2007, Santos passou a ser uma espécie de babá de Jair Renan, filho 04 do presidente, e só deixou de trabalhar com a família quando Ana Cristina se mudou para a Europa.

A relação com o 04 rendeu até homenagens nas redes sociais. Em junho deste ano, Jair Renan publicou uma foto com Marcelo e escreveu uma legenda parabenizando-o por seu aniversário. "Você tem sido um grande amigo para mim. Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa", publicou.

O filho 04 de Bolsonaro disse ainda que agradecia a Deus por ter colocado Marcelo em seu caminho. Ele escreveu ainda que o ex-funcionário tinha empatia e carinho contagiantes, além de fazer votos de felicidades.

De 2014 a 2021, voltou a ser contratado por ela, dessa vez como empregado doméstico, primeiro em Resende, depois em Brasília. Nogueira diz que Ana Cristina precedeu Fabrício Queiroz no esquema de rachadinhas nos gabinetes dos filhos. Depois do divórcio, Flávio e Carlos teriam assumido a responsabilidade pelo recolhimento dos salários dos funcionários.

Ele também afirma que Ana Cristina formou todo o seu patrimônio usando laranjas, inclusive na compra da mansão do Lago Sul, em Brasília, em que mora junto com Jair Renan. Segundo Santos, o imóvel não foi alugado, mas comprado por meio de dois laranjas. O negócio teria sido feito com um contrato de gaveta: um documento informal teria sido registrado em cartório. A mansão seria repassada para ela, encerrado o financiamento.

Outra denúncia

Este é o segundo ex-assessor de Flávio que revela a devolução de salários. Em novembro do ano passado, o jornal O Globo mostrou que Luiza Souza afirmou ao MP-RJ que era obrigada a devolver mais de 90% do que recebia. Ela apresentou extratos bancários para comprovar que, entre 2011 e 2017, repassou R$ 160 mil para Fabrício Queiroz, que também atuou no gabinete e é outro alvo da denúncia dos promotores que atinge Flávio.

Em nota enviada à coluna de Guilherme Amado, a defesa do senador Flávio Bolsonaro afirmou que o parlamentar desconhece as declarações que Marcelo Luiz Nogueira dos Santos deu ao jornalista.

A defesa do senador também disse não saber de supostas irregularidades que possam ter sido praticadas por ex-servidores da Alerj ou possíveis acertos financeiros que eventualmente tenham sido firmados entre esses profissionais.

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