7 DE SETEMBRO

Possibilidade de impeachment de Bolsonaro volta à pauta das forças políticas

Declarações de Bolsonaro com ataques ao Supremo Tribunal Federal reativaram o debate sobre o tema

Paulo Veras
Paulo Veras
Publicado em 08/09/2021 às 0:12
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PAULO LOPES / AFP
Bolsonaro participou de atos em São Paulo (foto) e em Brasília - FOTO: PAULO LOPES / AFP
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Com informações de O Globo

A possibilidade de um impeachment do presidente Jair Bolsonaro voltou à pauta das forças políticas após as declarações com ataques ao Supremo Tribunal Federal neste 7 de setembro. O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, convocou uma reunião emergencial do partido para debater a possibilidade de entrar com um processo pela deposição do chefe do Planalto. O movimento teve apoio dos dois principais pré-candidatos do partido à Presidência, os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

"Com as declarações de hoje, não dá para partido político se esconder. Tem de haver posição clara do que pensa e como age cada partido em relação a esse vergonhoso momento da história brasileira", afirmou Araújo à CNN Brasil. Para o tucano, o País chegou ao "limite da dignidade política".

O movimento, que parte de um partido de centro-direita, reativou o debate sobre o tema. Um dia antes, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, havia dito à Globo News que a sigla poderia apoiar um processo de impeachment se a escalada autoritária do presidente prosseguisse no 7 de setembro.

Ele não é o único, o presidente nacional do DEM, ACM Neto, pregou ontem o "fim do radicalismo". "Um Brasil independente é um Brasil livre do radicalismo, que valoriza a democracia, e não o ódio. Hoje a nossa luta é por tolerância, comida na mesa dos brasileiros, emprego, respeito às diferenças e por um país mais justo e menos desigual. Essas são lutas diárias, aquelas que realmente importam e fazem a diferença na vida das pessoas", afirmou por meio de nota.

O deputado federal Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, também falou sobre os "remédios" da democracia para quem afronta a Constituição. "São inaceitáveis os ataques a qualquer um dos poderes constituídos. Sempre defendo a harmonia e o diálogo. Contudo, não podemos fechar os olhos para quem afronta a Constituição. E ela própria tem os remédios contra tais ataques", escreveu.

Juntos, PSDB, PSD, DEM e MDB somam 129 votos na Câmara Federal. A oposição (PT, PSB, PDT, Psol, PCdoB e Rede) tem outros 127 votos. São necessários 342 votos para aprovar um processo de impeachment na Casa. "Agora é hora de unificar os democratas pelo impeacheament de Bolsonaro. Não tem mais conversa fiada, ele está jogando pela ruptura da democracia, nós temos que jogar a democracia sobre ele", afirmou o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse não ter dúvidas de que "qualquer ato de violência contra o Congresso ou o STF em ato que teve a participação do Presidente da República tornará inevitável a abertura do processo de impeachment".

"Ele (Bolsonaro) se dedica a criar crise institucional e a pregar soluções autoritárias. Isto não é aceitável. Por isso, penso que as instituições, Congresso, STF e a própria sociedade civil precisar reagir com maior intensidade", afirmou em uma nota o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Sociedade civil

A pressão por uma ação que contenha a escalada de declarações de Bolsonaro não ficou restrito apenas aos partidos políticos. "O presidente, usando dinheiro público, transformou a data nacional em evento particular, a serviço de seus interesses golpistas. Chegou o momento histórico de os presidentes da Câmara e do Senado tomarem posição. A sociedade espera atitude firme de defesa da democracia ameaçada", disse o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) pediu o impeachment imediato do presidente. "Por conta das ameaças e manifestações golpistas de bolsofascistas, principalmente contra o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o ministro Alexandre de Moraes, e de ataques à Constituição, liderados pelo ainda presidente Jair Bolsonaro, enfrentamos, neste 7 de Setembro, a maior ameaça à democracia brasileira, desde o fim da ditadura militar", afirma a entidade.

 

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