INQUÉRITO

MPF investiga presidente da Caixa por suposta pressão contra Fiesp e Febraban

Ação de Pedro Guimarães teria sido feita para que lideranças não dessem apoio ao manifesto pela pacificação entre os Poderes

Marcelo Aprígio
Marcelo Aprígio
Publicado em 16/09/2021 às 7:31
MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
Presidente da Caixa, Pedro Guimarães - FOTO: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL
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O Ministério Público Federal (MPF) investiga se o presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, utilizou seu cargo para pressionar indevidamente empresários e lideranças da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Federação Brasileira de Bancos (Febraban) contra a assinatura de um manifesto a favor da harmonia entre os Três Poderes.

A investigação foi incluída no inquérito civil em andamento que acompanha se o banco mantém os padrões de governança e compliance adotados após os crimes descobertos pela força-tarefa Greenfield, que investigou desvios no banco e em fundos de pensão nas gestões do PT.

Segundo o procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, da Procuradoria da República no Distrito Federal, o inquérito estava para ser arquivado quando surgiram indícios não só de pressões contra as entidades, mas também no interior da própria Caixa.

Ameaças à Febraban

O imbróglio começou quando a Caixa e o Banco do Brasil ameaçaram abandonar a Febraban caso a entidade assinasse o documento capitaneado pela seção paulista da federação das indústrias. Isso porque, na avaliação dos bancos estatais, o texto seria crítico ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em agosto, a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicou uma reportagem na qual mostrava que o presidente da Caixa chegou a ameaçar os bancos privados de perder negócios com o governo se assinassem o manifesto da Fiesp.

A ação do presidente da CEF, diz o pedido do MPF que o JC teve acesso, além de poder configurar ato de improbidade administrativa ou até mesmo crime de ameaça”. O procurador também sugere a ocorrência do crime de ameaça, a indicar “possível politização da instituição financeira, afetando a governança e a credibilidade de sua atuação”. 

O procurador deu 10 dias úteis para que o presidente da Caixa dê sua versão. O mesmo prazo foi dado aos presidentes da Fiesp, da Febraban e do Banco Central. A PricewaterhouseCoopers, responsável pela auditoria independente do banco, foi questionada se tomou conhecimento dos fatos e chamada para acompanhar os desdobramentos do inquérito.

Após receber e analisar as informações, o MPF vai decidir sobre a necessidade de tomar o depoimento do presidente da Caixa.

Leia o despacho do MPF:

 

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