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YouTube derruba live de Bolsonaro com mentira sobre vacina contra covid-19 e aids e suspende canal por uma semana

O presidente infringiu diretrizes da plataforma ao disseminar informação falsa sobre a covid-19

Amanda Azevedo Estadão Conteúdo
Amanda Azevedo
Estadão Conteúdo
Publicado em 25/10/2021 às 20:59
REPRODUÇÃO DE VÍDEO
Bolsonaro fez afirmação falsa sobre vacina e aids durante live - FOTO: REPRODUÇÃO DE VÍDEO
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O YouTube tirou do ar a live em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disseminou mentira associando vacina contra covid-19 e aids. A plataforma ainda suspendeu por uma semana o canal do chefe do Planalto. O vídeo também foi derrubado pelo Facebook e pelo Instagram.

Na transmissão ao vivo, no dia 21 de outubro, o presidente disse que pessoas que tomaram duas doses da vacina contra o novo coronavírus no Reino Unido estão desenvolvendo aids. A afirmação, que é mentirosa, foi desmentida por cientistas de todo o mundo e publicada em um site inglês conhecido por espalhar teorias da conspiração.

"Removemos um vídeo do canal de Jair Bolsonaro por violar as nossas diretrizes de desinformação médica sobre a covid-19 ao alegar que as vacinas não reduzem o risco de contrair a doença e que causam outras doenças infecciosas", diz a nota do YouTube.

Agora, Bolsonaro deve ficar suspenso do YouTube por sete dias. Assim, não conseguirá realizar sua tradicional transmissão ao vivo semanal na plataforma nesta quinta-feira (28). Documento com as políticas internas da rede social explica que, se um usuário for alertado pela segunda vez de um conteúdo contrário às diretrizes, ele receberá um aviso de suspensão por uma semana. Neste período, fica impossibilitado de postar vídeos ou fazer transmissões ao vivo, mas o canal segue disponível com postagens anteriores. Bolsonaro já havia sido alertado de conteúdo que feria as políticas internas em julho.

Embora o YouTube não cite a suspensão na nota oficial, uma fonte da empresa garante ao Estadão/Broadcast Político que a norma interna será cumprida. "As nossas diretrizes estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais, e atualizamos as nossas políticas à medida que a orientação muda. Aplicamos as nossas políticas de forma consistente em toda a plataforma, independentemente de quem for o criador ou qual a sua opinião política", limitou-se a acrescentar a plataforma, na nota.

Se for alertado sobre publicar informações falsas com potencial de impacto na saúde pública em seus vídeos mais uma vez dentro de 90 dias, Bolsonaro será suspenso por duas semanas. Se receber três avisos, será banido definitivamente da rede social. Cada aviso leva 90 dias, a partir da data de emissão, para expirar. Essas regras constam do documento "Conceitos básicos sobre os avisos das diretrizes da comunidade", disponível no site do Google, proprietário do YouTube.

O Facebook e o Instagram determinaram a remoção da live nesse domingo (24). "O Facebook está apoiando o trabalho da comunidade global de saúde pública para manter as pessoas seguras e informadas durante esta crise. Nosso objetivo é garantir que todos tenham acesso a informações precisas, removendo conteúdo prejudicial e apoiando pesquisadores de saúde com dados e ferramentas", diz mensagem na página da companhia sobre a atuação da gigante da tecnologia durante a pandemia.

Ambas as redes sociais têm como política a responsabilidade de "reduzir a disseminação de notícias falsas". O Facebook afirma estar empenhado "em criar uma comunidade mais bem informada e em reduzir a disseminação de notícias falsas", enquanto o Instagram diz trabalhar "com verificadores de fatos independentes no mundo todo que analisam conteúdo em mais de 60 idiomas".

Fake news sobre aids e vacina é antiga

A fake news que relaciona vacinas com o desenvolvimento da aids já era conhecida, tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reforçou a importância de portadores de HIV serem imunizados contra a covid-19. Como mostrou o Estadão, a propagação da mentira no momento em que o Brasil atinge mais da metade de sua população com a vacinação completa gerou revolta e críticas entre cientistas e políticos.

Por meio de nota, o Comitê de HIV/aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirmou que não se conhece nenhuma relação entre qualquer vacina contra a covid-19 e o desenvolvimento de síndrome da imunodeficiência adquirida, e repudiou "toda e qualquer notícia falsa que circule e faça menção a esta associação inexistente". O comitê da SBI também reforçou que pessoas que vivem com HIV/aids devem ser completamente vacinadas para a doença, e destacou que a dose de reforço (terceira dose) é indicada para quem recebeu a segunda dose há mais de 28 dias.

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