Barões da Pisadinha não largam a vida simples no interior da Bahia: "A gente não precisa de muito"

Romero Rafael
Romero Rafael
Publicado em 01/07/2021 às 9:48
Rodrigo Barão e Felipe Barão, os Barões da Pisadinha - Divulgação
Rodrigo Barão e Felipe Barão, os Barões da Pisadinha - Divulgação
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Eles são barões na música - desculpa o trocadilho -, mas continuam vivendo dias de simplicidade no interior da Bahia. Felipe Barão, em entrevista para o Social1, contou que, se eu chegar a Heliópolis, sua cidade, posso encontrá-lo no mercadinho, como todo habitante. Mesmo sendo um cidadão ilustre. "Eles me tratam como me conhecem: Felipe de Lolinha. A gente vive como se não tivesse sucesso", conta ele, se referindo ao apelido da mãe. O município, quase na divisa com SE, tem população de pouco mais de 12 mil.

Felipe, tecladista, forma com Rodrigo Barão, vocalista, a dupla Os Barões da Pisadinha, que é um dos maiores sucessos do mercado musical no Brasil desde o ano passado. Só no YouTube, eles acumulam cerca de 3 bilhões de visualizações e têm quase 5 milhões de inscritos. A pisadinha — ou piseiro, que, eles explicam, é a mesma coisa, uma mistura de xote, samba e vanerão — foi o ritmo que mais cresceu nas plataformas de música durante a pandemia.

Assista ao vídeo de "Recairei", o mais visto da dupla no YouTube:

Pés no chão

A história dos dois, do início da trajetória ao sucesso impensável de agora, é contada no minidocumentário "Da Roça para a Cidade — A Ascensão dos Barões da Pisadinha", lançado pela Amazon Music na terça-feira (29). Seja no filme, seja na entrevista, fica claro que, embora eles estejam nos céus do sucesso, só querem estar com os pés no chão.

"Todos os meus sonhos já foram conquistados. Em termo financeiro, a gente não precisa de muito para viver da forma que a gente vive no interior. Consegui dar uma casa para a minha mãe, estou construindo a minha. Tendo o que comer e o que beber...", diz Felipe Barão.

"Deus nos deu até demais. A gente pediu um pouquinho e Deus deu um montão", completa o tecladista, que ainda nem chegou presencialmente ao Recife nem outras cidades do Brasil afora. É que, quando o som deles estava subindo o Nordeste, veio a pandemia. Ou seja, Os Barões da Pisadinha, apesar de considerar que já conquistou tudo, tem ainda mais terras pela frente no sonhado Brasil pós-vacinação.

Assista ao vídeo de "Basta Você me Ligar", o segundo mais visto da dupla:

O início

No minidocumentário "Da Roça para a Cidade — A Ascensão dos Barões da Pisadinha", da Amazon Music, a gente conhece a cidade de Heliópolis, o jovem músico Felipe, que começou a carreira tocando em igreja e em bandas de forró, até o encontro com Rodrigo Barão, com quem formou, inicialmente, a Barões do Forró, e depois Barões do Forró Prime, que tocava basicamente na cidade. O dinheiro mal dava pra pagar as contas inadiáveis: aluguel, alimentação, água e energia.

Entre os momentos altos do filme estão as participações das mães dos músicos. A de Felipe, ele conta, foi quem sempre acreditou no trabalho dele. E continua lhe servindo de guia: "Até hoje eu pergunto a ela 'esse ou esse?', e ela bem assim: 'Felipe, ficou melhor aquele primeiro". Foi ela, aliás, quem incentivou o filho a comprar um teclado.

Felipe Barão com a mãe, conhecida como Lolinha - Divulgação

O primeiro CD foi gravado numa casa-estúdio, sem acústica, com Rodrigo cantando em frente a uma espuma de colchão, para dar uma limpada no som. Foi jogado no YouTube por um conhecido deles, pois nem acesso à internet tinham, outro canal replicou e é a partir daqui que a dupla deixa de ser apenas de Heliópolis.

A viradinha do sucesso

A animação da pisadinha e a espontaneidade dos Barões da Pisadinha talvez expliquem porque conquistaram tanto. Ainda que sofram de amor nas letras, o ritmo faz a gente balançar, traz uma alegria de festa, esse evento escasso para muita gente há quase 1 ano e meio. "Os Barões, se você ver o ritmo, não consegue ser triste. Quando dá aquela viradinha é bem pra cima", fala Felipe. E de fato é.

"A fórmula do sucesso ninguém tem, na verdade. Tem artistas com que o empresário gasta milhões e não chegam ao agrado do público", reflete o músico. "Sobre o ritmo da pisadinha, ele é muito simples, pobre, mas tudo foi intencional. Tuturututu [cantarola] criou uma identidade. Os arranjos foram muito simples de fazer, mas são bem colocados. A proposta da gente era fazer o pouco virar muito."

Assista ao doc "Da Roça para a Cidade — A Ascensão dos Barões da Pisadinha":

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