DESABAFO

Douglas Souza relata caso de discriminação em aeroporto

Jogador está de mudança para a Itália, onde vai defender o Vibo Valentia

Augusto Tenório
Augusto Tenório
Publicado em 08/09/2021 às 17:09
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COB
Douglas Souza pulou de 250 mil para 3 milhões de seguidores no Instagram durante as Olimpíadas. - FOTO: COB
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Douglas Souza, estrela do vôlei e queridinho nas redes sociais, utilizou seu Instagram para expor caso de homofobia e racismo. Segundo o atleta, o episódio foi causado por funcionários de aeroporto localizado na Europa.

"Hoje é um dos piores dias da minha vida. Foi horrível. Está sendo horrível. Eu só não vou contar realmente o que aconteceu hoje porque eu tenho medo deles tirarem a minha passagem e me deportarem. (...) Puro preconceito, homofobia, vocês não têm noção", desabafou Douglas Souza, com expressão abatida.

O jogador tentava viajar para a Itália, para onde está de mudança após assinar contrato com o time Vibo Valentia. Após desembarcar no seu destino, ele conta que, ao lado do seu namorado, pegou um voo de São Paulo para Amsterdã (Holanda), onde passaria pelo controle de passaporte e seguiria para a Itália.

"O cara [do controle de passaporte] conversou comigo tranquilo, perguntou o que eu iria fazer na Itália. Eu expliquei que sou jogador de vôlei e fui contratado por um time. Ele perguntou quem era o Gabriel, mas quando eu expliquei pra ele que tratava-se do meu namorado, o tratamento dele mudou na hora", detalhou Douglas.

Segundo o atleta, o homem questionou o que seu companheiro iria fazer no país e lhe foi apresentado um documento de união estável e lhe foi dito que Gabriel iria acompanhá-lo e, também, trabalhar na Itália. Após a resposta, o profissional chamou outra pessoa no telefone.

"Levaram a gente para um outro lugar (...), largou a gente por umas cinco horas e não dava nenhuma explicação. (...) Passei o telefone do clube, eles ligaram e deu tudo certo. Não quiseram me escutar e achei muito estranho. Depois me chamaram e fizeram uma entrevista. (...) Achei normal mas bateram novamente na tecla [do Gabriel]", narrou Douglas Souza.

Os homens, diz o atleta, insistiram no termo "companheiro" ao invés de "namorado" e se recusaram a deixar Gabriel passar e questionaram se o clube teria conhecimento sobre a situação e se concordava com isso.

"Notei um certo padrão no tratamento deles. No começo fomos colocados com um grupo de 20 pessoas e 18 delas eram negras ou latinas. Uma delas se revoltou com a situação porque uma moça, loira de olho azul, passou na frente dele. (...) A gente passou o dia inteiro esperando e quando deu 23h, quando não tinha mais voo pra Roma, fomos liberados. (...) Ficamos dormindo no aeroporto até 7h, quando era o próximo voo", disse Douglas.

O atleta conta ter se sentido fragilizado com a situação e diz que, caso não se tratasse de uma viagem à trabalho, voltaria para casa.

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