CORRUPÇÃO

Policiais civis presos por corrupção acumularam bens de R$ 5 milhões

Os bens dos policiais acusados de corrupção foram bloqueados pela justiça e a operação continua para levantar mais provas que os incriminem

JC Online
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Publicado em 30/11/2017 às 17:07
Foto: Divulgação / Polícia Civil
Os bens dos policiais acusados de corrupção foram bloqueados pela justiça e a operação continua para levantar mais provas que os incriminem - FOTO: Foto: Divulgação / Polícia Civil
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Um patrimônio que chega a R$ 5 milhões foi apreendido dos três policiais civis que foram presos em Caruaru, interior de Pernambuco. A Operação "Bis In Idem", comandada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE), autuou os policiais por corrupção e lavagem de dinheiro.

Nesta quinta-feira (30), o delegado Ramon Teixieira, responsável pela operação, apresentou o balanço de toda ação que trouxe ao fim um esquema de corrupção montado na Delegacia de Plantão de Caruaru.

A renda acima do que era compatível com as funções dos acusados foi o que chamou atenção dos investigadores. "Havia uma certa ostentação dos investigados. Todo patrimônio se mostrou incompatível com o rendimento. Houve também a detecção de um ganho exponencial num curto período de tempo", relata o delegado.

Além dos três policiais, a organização criminal era composta por um popular que se apresentava como agente de polícia, o qual foi preso no início de 2017 por porte ilegal de arma.

Foram identificadas dez vítimas destes crimes. As vítimas localizadas não se renderam às exigências da quadrilha, mas há a possibilidade de várias outras terem pago os valores exigidos e caídos no golpe, já que a fortuna apreendida tem um alto valor.

O delegado ainda ressaltou que "este não é o fim da operação, mas o meio para que outros possíveis envolvidos sejam encontrados. A possibilidade de outros agentes de polícia, bem como de outras corporações, estarem envolvidos não é descartada pela operação".

Ação Criminosa

Em setembro de 2016, uma empresa transportadora de bens, cargas e mercadorias com sede na cidade de Goiânia, em Goiás, foi vítima de uma ação criminosa, em que a localização e recuperação de um caminhão e de uma carreta da empresa só eram revelados após o pagamento de uma quantia que correspondia a 30% do valor de mercado dos veículos.

O Grupo de Operações Especiais (GOE) foi acionado para a apuração do caso, dando início à Operação "Bid In Idem".

Nas investigações, que duraram cerca de 10 meses, foram constatados que aquele não era um caso isolado, mas que outras práticas como estas já haviam sido feitas pelo grupo para enriquecer às custas das vítimas que tinham suas cargas roubadas.

O grupo, que tinha uma grande habilidade em achar cargas roubadas tanto em Pernambuco como em outros estados, usava isto como ponto inicial para encontrar vítimas e se aproveitar financeiramente delas.

Entre os crimes cometidos pela quadrilha foram listados:

  • Lavagem de dinheiro, ocultando a origem de onde vinha a alta quantia e bens;
  • Corrupção passiva, obtendo vantagem indevida com o cargo ocupado;
  • Corrupção ativa, fazendo omissão de um ato próprio do seu trabalho; e por fim,
  • Concussão, com benefícos ilícitos e indevidos em cima de uma função pública.

Eles serão investigados e condenados por cada crime. "A maioria dos presos não quer colaborar. Diz que só fala em juízo", comentou o delegado.

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