SAÚDE

Maternidade do Cisam está superlotada

Unidade de saúde, vinculada à UPE, tinha na quinta-feira 16 mulheres, o dobro da capacidade

Margarida Azevedo
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Margarida Azevedo
Publicado em 17/06/2016 às 7:16
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Unidade de saúde, vinculada à UPE, tinha na quinta-feira 16 mulheres, o dobro da capacidade - FOTO: Divulgação
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Dezesseis mulheres estavam ontem de manhã na sala de pré-parto do Centro Integrado Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife, quando a capacidade do local é para oito pacientes. Uma das causas da superlotação é a falta de leitos em outras maternidades do Grande Recife e do interior. Também porque a enfermaria da unidade de saúde, que deveria receber as puérperas (aquelas que pariram recentemente), está com a capacidade máxima (34 leitos).

Segundo o gestor executivo do Cisam, o médico Olímpio de Moraes Filho, às 7h havia quatro gestantes e 12 puérperas. “O ideal era que tivéssemos apenas as oito mulheres que estão para parir. Mas com a enfermaria lotada, elas terminam ficando na sala de pré-parto depois de terem tido o bebê”, explica Olímpio. A situação mais crítica, essa semana, foi terça-feira passada, quando havia 18 gestantes em trabalho de parto e 17 que tinham parido, totalizando 35 mulheres na sala de pré-parto (mais 35 pessoas que eram acompanhantes delas).

O Cisam é uma maternidade de alto risco e vinculada à Universidade de Pernambuco (UPE). O problema de falta de leitos se repete nas outras duas unidades de saúde da UPE e que também funcionam como espaços para que estudantes de medicina e enfermagem tenham aulas práticas: o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc) e o Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape).

“Houve um congelamento dos valores pagos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) há quase 10 anos. Por isso muitos hospitais privados que eram conveniados deixaram de atender pelo SUS. Municípios pequenos não têm maternidades. Há também cidades como Olinda, por exemplo, que estão com a maternidade municipal fechada, como é o caso da Brites de Albuquerque. Tudo isso nos sobrecarrega”, destaca Olímpio.

O segundo filho de Thaís Thamires da Silva, 23 anos, moradora de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, nasceu terça-feira no Cisam. “Fui na Barros Lima (maternidade da prefeitura do Recife que fica em Casa Amarela) mas não tinha médico. Entrei no Cisam por volta das 3h e meu filho nasceu às 8h30. Dormi numa poltrona porque não havia cama disponível. Uma mulher pariu no banheiro”, contou Thaís, ontem de manhã.

O Sindicato dos Servidores da UPE (Sindupe) lembra que há uma UTI materna montada no Cisam há três anos e que nunca foi usada. E destaca a necessidade de contratação de pessoal. O gestor executivo confirma a informação. “São seis leitos na UTI sem uso. Não há recurso humano. O pior é que existe um custo de manutenção pois o ar condicionado tem que ficar ligado para manter as máquinas, mas sem pacientes”, diz Olímpio.

A UPE informa que o governo estadual autorizou a nomeação de 152 aprovados no concurso público de 2012 (116 para o Huoc, 18 para o Cisam e 18 para o Procape). Um novo concurso, com 507 vagas, está com edital sendo elaborado. Sete neonatologistas serão contratados temporariamente, com resultado da seleção quarta-feira (22). Sobre a abertura de novos leitos, a UPE diz que depende da Secretaria Estadual de Saúde.

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