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Circo Tihany adaptado para deficientes visuais

Nesta sexta-feira (6), às 16h30, começa a sessão promovida pelo grupo Imagens que Falam

Eugênia Bezerra
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Eugênia Bezerra
Publicado em 06/01/2012 às 8:44
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Uma das apresentações do Circo Tihany neste fim de semana tem um recurso utilizado para a inclusão de pessoas com deficiência visual, a audiodescrição. Nesta sexta-feira (6), às 16h30, começa a sessão promovida pelo grupo Imagens que Falam, do Centro de Educação Inclusiva (CEI). São disponibilizados 15 equipamentos e o cadastro das pessoas interessadas é feito pelo telefone 8856-9305 (com Milton Carvalho).

O CEI é coordenado pelo psicólogo Francisco Lima, ligado ao Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. “A ideia foi minha, tivemos agora em dezembro um curso de tradução visual com ênfase na audiodescrição, que é dado pelo CEI. Sou um dos alunos do curso, sou cego, estava na condição de me tornar um audiodescritor instrutor”, diz Milton Carvalho.

Na audiodescrição, uma pessoa descreve os elementos visuais de peças, programas de TV, obras de arte e filmes, por exemplo, para que os que não enxergam ou têm visão reduzida tenham acesso a informações como a expressão dos atores, figurino, mudanças de espaço e tempo, etc.

Milton Carvalho explica que o Imagens que Falam recebeu o relato de uma amiga que trabalha no Rio Grande do Sul, sobre uma experiência de audiodescrição em circo: “Fiquei curioso. Quando tomei conhecimento do Circo Tihany, fui lá e apresentei o projeto. Como o circo não tem diálogo, os cegos teoricamente não teriam acesso ao espetáculo como um todo, só às músicas”. A produção do Tihany topou na hora e ofereceu as entradas para a equipe e as 15 pessoas que vão participar da experiência.

“Para fazer audiodescrição é necessário conhecer antes a obra. O espetáculo de circo é muito dinâmico, precisamos fazer roteiro com o que acontece em cena, as entradas e saídas, a caracterização dos personagens, a sincronia de luz som para que a imagem que está sendo mostrada seja passada o mais fidedigno possível”, completa Milton.

Na sexta-feira passada, o grupo foi assistir a uma apresentação para fazer o roteiro. Milton comenta que a expectativa é grande para a experiência de hoje. “Eu, como profissional de audiodescrição e usuário também, nunca pude assistir a um espetáculo de circo com a técnica de audiodescrição”.

Tanto que o grupo pretende promover outras experiências deste tipo. “Certamente que sim, acho que este projeto é algo que talvez abra portas para o grupo. A gente tem projetos de profissionalizar mesmo a coisa, para que não só o governo, mas também as companhias de teatro e circo vejam que isto é algo importante e tem retorno não só para nós, mas para eles”, completa.

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