RESENHA

Valter Hugo Mãe fala da realidade das domésticas em livro

O apocalipse dos trabalhadores, escrito em 2008, é lançado no Brasil em momento de debate de direitos trabalhistas

Diogo Guedes
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Diogo Guedes
Publicado em 01/05/2013 às 5:40
Nélio Paulo/Divulgação
O apocalipse dos trabalhadores, escrito em 2008, é lançado no Brasil em momento de debate de direitos trabalhistas - FOTO: Nélio Paulo/Divulgação
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“E quem cá viver será só vítima de um dia atrás do outro e nada mais”. A conclusão da empregada doméstica Maria da Graça, personagem do romance O apocalipse dos trabalhadores (Cosac Naify, 192 páginas, R$ 40), do autor português Valter Hugo Mãe, é o sintoma do desgaste da sua vida, que não lhe permite mais do que sonhos à noite – e mesmo nesses momentos, seu desejo não é nem o de uma vida melhor, mas o do alívio da morte.

A obra é um exemplo da mistura entre melancolia e escrita poética de Hugo Mãe, autor também de A máquina de fazer espanhóis, vencedor do Portugal Telecom em 2012, e do belo O filho de mil homens. Em O apocalipse dos trabalhadores, publicado em Portugal em 2008 – e ainda escrito sem a presença de letras maiúsculas que marcaram o começo da sua carreira –, o escritor mostra a crueza da vida dos trabalhadores portugueses que se encontram na base da pirâmide do mercado de trabalho: as domésticas e os imigrantes.

Maria da Graça trabalha como mulher-a-dia – o equivalente a uma diarista por aqui – na casa de um homem solteiro e relativamente rico, o senhor Ferreira. Apesar de casada com um marinheiro, faz sexo com o patrão diversas vezes, em um misto de entrega consentida e assédio sexual. Sua amiga, Quitéria, trabalha em outras casas e é conhecida por colecionar amantes jovens, ainda que eles a tratem mal. Completa o trio o imigrante ucraniano Andriy, que vai para Portugal escapar da fome do seu país, animado com a perspectiva de morar em uma nação doce, tão amável que o povo pôde fazer uma “revolução com flores” (a Revolução dos Cravos, de 1974).

Leia a matéria completa no Jornal do Commercio desta quarta (1º/5).

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