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Reestruturação expõe divisão entre setores da Fundação Joaquim Nabuco

Enquanto os profissionais da área de cultura são os mais atingidos, os pesquisadores do campo das ciências sociais defendem as mudanças

Diana Moura
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Diana Moura
Publicado em 03/09/2011 às 8:02
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A reestruturação a que está sendo submetida a Fundação Joaquim Nabuco expõe uma crise interna que há muito se instalou dentro da instituição e só agora começa a ganhar a devida visibilidade externa. A casa deve ficar com cerca de 25 cargos comissionados (responsáveis pelos salários mais altos) a menos nos próximos meses. Com as mudanças, foram fundidas as Diretorias de Cultura e Documentação, transformadas em Diretoria de Memória e Cultura. De cara, a alteração atinge diretamente o setor de mais visibilidade da Fundaj, responsável, entre outras coisas, pelo gerenciamento do Cinema da Fundação e pelo setor de Artes Plásticas, incluindo as três galerias. Apesar de o fato ter um grande potencial para causar celeuma, há uma parcela da Fundaj que está razoavelmente satisfeita com as novidades, considerando até que esta é uma das poucas possibilidades de a casa voltar a ocupar um posto de excelência em relação às pesquisas sociais.

O conflito, na verdade, não parte dos servidores do órgão. “O problema da Fundaj é muito mais complexo do que brigas internas e questões de ego, que sempre existem em instituições deste porte, sejam públicas ou privadas. A questão está relacionada à fonte provedora da casa, no caso, o Ministério da Educação (MEC)”, comenta um profissional da fundação que prefere não se identificar. Embora muita gente não saiba, a Fundaj é vinculada ao MEC que, estima-se, gasta R$ 50 milhões por ano para mantê-la.

“Durante os oito anos de Fernando Lyra na presidência da fundação (no governo Lula), praticamente só se investiu na Diretoria de Cultura. O Ministério da Educação retirou 69 cargos comissionados da instituição, forçando Lyra a promover uma reforma interna. Neste processo, a Diretoria de Cultura foi privilegiada e fortalecida. Em contrapartida, a Diretoria de Formação (mais diretamente ligada à educação) foi extinta, e a Coordenadoria-Geral de Ciência e Tecnologia foi reduzida a um setor dentro da área de Pesquisa, perdendo status”, analisa um dos pesquisadores da Fundaj.

Com as modificações promovidas por Lyra, a atuação da Fundação Joaquim Nabuco perdeu os pontos de contato com o MEC. “Do ponto de vista político e organizacional, a fundação ficou muito fragilizada. Torna-se muito mais fácil, para o ministério, retirar cargos comissionados de uma instituição que não investe em suas áreas prioritárias: educação, ciência e pesquisa”, afirma.

Para o outro funcionário, embora a alteração vá ser muito ruim no primeiro momento, ela deve realinhar à Fundação Joaquim Nabuco ao Plano Nacional de Educação do MEC, o que, para ele, é a única maneira de garantir a sobrevivência da Fundaj como uma instituição atuante e cujo trabalho tenha interlocução com a sociedade. “Há várias formas de se fazer uma reestruturação forçada como esta, provocada pela retirada de cargos. Uma delas, é tentar repensar a instituição de forma planejada, observando as suas finalidades. A outra maneira é simplesmente ir tapando os buracos e remediando as perdas. Creio que estamos no primeiro caminho”, comenta o funcionário.

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