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Zuckerberg admite que o Facebook errou no caso do vazamento de dados

No Brasil, Ministério Público investiga se dados de usuários também vazaram

Da editoria de economia
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Publicado em 22/03/2018 às 7:00
Foto: Josh Edelson/AFP
No Brasil, Ministério Público investiga se dados de usuários também vazaram - FOTO: Foto: Josh Edelson/AFP
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Depois de um silêncio de quatro dias, Mark Zuckerberg resolveu se pronunciar sobre o escândalo de vazamento ilícito de informações de 50 milhões de usuários do Facebook, no último fim de semana. O fundador e presidente da empresa usou a própria rede social para admitir, num longo post, que a companhia errou. No texto o executivo também tenta explicar, aos 2,3 bilhões de usuários ao redor do mundo, quais serão as medidas adotadas pela plataforma para melhorar sua confiabilidade. O episódio acendeu o alerta para a vulnerabilidade dos dados dos usuários nas redes sociais. A empresa de marketing político Cambridge Analytica teve acesso às informações dos usuários do Facebook por meio de um desses testes para apontar perfis das pessoas. No Brasil, o Ministério Público vai investigar se houve uso ilegal de informações de usuários no País.

A quebra na confiabilidade da rede social de Zuckerberg motivou a criação do movimento #deleteFacebook, que ganhou como representante o cofundador do WhatsApp, Brian Acton. Além da expectativa de debandada de usuários, o Facebook também está perdendo dinheiro. Nos últimos dias, a empresa perdeu US$ 40 milhões em valor de mercado com queda de suas ações nas bolsas de valores. Para controlar o choque na área financeira e na credibilidade, a rede social anunciou uma lista de seis medidas para aumentar a proteção aos dados, que vão da revisão da plataforma; passando por avisar às pessoas sobre o uso indevido de dados e desligamento de aplicativos em uso.

“O vazamento de informações de usuários do Facebook foi grave. Está claro que as pessoas estão vulneráveis e que as leis da internet são frágeis para resolver o problema. Isso coloca em xeque o futuro da rede social, que vem perdendo usuários e relevância no mundo. Na minha avaliação, a rede social está perto do fim. Não é possível dizer quando isso vai acontecer, mas a plataforma caminha para a extinção”, aposta o coordenador de conteúdo da agência digital Munganga Criativa, Thiago Mattos.
Nos Estados Unidos e na Europa, os usuários já demonstram cansaço da plataforma. “Os usuários jovens já deram sinal de desinteresse por uma rede que hoje é usada por seus pais”, complementa Mattos, destacando que os mais novos preferem outras redes como Instagram e Snapchat. Atento à debandada, o Facebook pagou US$ 1 bilhão para comprar o Instagram em 2012 e desembolsou US$ 19 bilhões para adquirir o WhatsApp em 2014.

BRASIL

Às vésperas das Eleições e preocupado com a presença da Cambridge Analytica no mercado brasileiro desde o ano passado, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou inquérito civil público para apurar se a empresa inglesa utilizou ilegalmente informações de brasileiros usuários do Facebook. A Cambridge Analytica atua no Brasil desde 2017 em parceria com a empresa de consultoria A Ponte Estratégia Planejamento e Pesquisa LTDA. Quando soube do escândalo de vazamento dos dados, o empresário André Torretta se disse surpreso e anunciou a suspensão da parceria.

Enquanto as investigações não são concluídas, a sugestão dos especialistas é que os usuários reforcem a proteção de seus dados. “Esses testes e quiz que parecem apenas uma brincadeira inocente pode significar perigo aos usuários. Podem servir de ‘disfarce’ para saber sobre intenções políticas e outras informações sobre as pessoas”, alerta Thiago Mattos. Outros especialistas sugerem ajustar as configurações de privacidade no Facebook, instalar bloqueadores de rastreio e ter atenção aos apps ligados ao perfil do usuário.

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