VIOLÊNCIA

Tiroteio na parte antiga de Jerusalém deixa mortos

Dois policiais feridos no incidente faleceram pouco depois do ataque, enquanto um terceiro agente se recuperava de ferimentos leves

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Publicado em 14/07/2017 às 11:12
Foto: AHMAD GHARABLI / AFP
Dois policiais feridos no incidente faleceram pouco depois do ataque, enquanto um terceiro agente se recuperava de ferimentos leves - FOTO: Foto: AHMAD GHARABLI / AFP
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Três homens abriram fogo na Cidade Velha de Jerusalém, matando dois policiais israelenses nesta sexta-feira (14), sendo abatidos por agentes na Esplanada das Mesquitas, no incidente mais grave registrado nos últimos anos nessa área extremamente sensível.

Poucas horas após o ataque, a polícia israelense deteve brevemente o mufti de Jerusalém, Mohammed Hussein, que estava reunido com outros palestinos na Cidade Velha para denunciar o fechamento da Esplanada das Mesquitas.

Um dos filhos de Ahmad informou à AFP que seu pai havia sido interrogado "pela polícia sobre o que eles chamaram de incitação à violência a respeito de seu chamado para que os muçulanos fossem a Jerusalém".

Além disso, um palestino foi morto em confrontos com as forças israelenses em um campo de refugiados perto da cidade de Belém, na Cisjordânia ocupada, segundo o Ministério palestino da Saúde, que identificou a vítima como Bara Hamamdah, de 18 anos.

Após o incidente na Esplanada das Mesquitas, a polícia israelense anunciou que todos os acessos ao local, situado em Jerusalém Oriental - anexado e ocupado por Israel - foram fechados e que as orações desta sexta-feira não seriam celebradas.

Frente à possibilidade de aumento das tensões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente palestino, Mahmmud Abbas, conversaram por telefone pela manhã, informou a agência de notícias palestina Wafa.

O presidente Abbas condenou o incidente e manifestou "sua rejeição a todo ato de violência, venha de onde vier, especialmente em lugares de culto", afirmou a Wafa, acrescentando que "o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fez um apelo à calma".

Este foi o primeiro ataque com arma de fogo em muitos anos na parte antiga da cidade, segundo comentaristas. Os últimos 20 meses têm sido marcados, porém, por uma série de ataques com facas.

Dois policiais feridos no incidente faleceram pouco depois do ataque, enquanto um terceiro agente se recuperava de ferimentos leves, segundo a Polícia.

Os dois agentes mortos, Hail Satawi, de 30 anos, e Kamil Shanan, de 22, faziam parte da minoria árabe drusa de Israel, muito presente na Polícia e no Exército israelenses.

Neste contexto, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou para o risco de um aumento da violência. Ele condenou o ataque e pediu "todas as partes a agir de maneira responsável para evitar uma escalada".

'Extremamente grave' 

De acordo com a Polícia e com o Shin Bet, o serviço de Inteligência interna de Israel, os três agressores eram árabe-israelenses, oriundos da cidade de Um el-Fahm (norte).

Eles foram identificados como Mohamed Khabarin e Mfadal Khabarin (ambos de 29 anos) e Abdel Latif Khbarin (19 anos).

Às 7h (1h de Brasília), os agressores abriram fogo contra os policiais israelenses perto de um acesso à Cidade Antiga de Jerusalém e, em seguida, fugiram para a Esplanada das Mesquitas, onde foram mortos pelas forças de segurança, de acordo com a Polícia.

Em um vídeo divulgado por veículos da imprensa israelense e da palestina é possível ouvir os tiros na Esplanada das Mesquitas.

O ministro israelense da Segurança Pública, Gilad Erdan, foi ao local e chamou o ataque de "evento extremamente grave".

"Vamos ter de reavaliar todos os dispositivos de segurança no Monte do Templo [como os judeus chamam a Esplanada das Mesquitas] e seus arredores. Exorto os líderes de ambos os lados a [...] manter a calma em Jerusalém", acrescentou.

Após consultar autoridades da segurança, Netanyahu decidiu manter a Esplanada das Mesquitas "fechada hoje por razões de segurança", informa um comunicado de seus serviços.

Orações canceladas 

Segundo a imprensa israelense, é a primeira vez desde 2000, quando teve início a Segunda Intifada, que as orações de sexta-feira são canceladas.

O mufti de Jerusalém, Mohamed Hussein, denunciou à imprensa que a Esplanada dos Mesquitas havia sido isolada, e as orações, canceladas.

As autoridades israelenses "não querem que as pessoas fiquem na mesquita de Al-Aqsa", indicou.

"O governo palestino condena todos os procedimentos da ocupação israelense em Al-Aqsa e o impedimento das pessoas de orar na sexta-feira", declarou o porta-voz do governo palestino em Ramallah, Tarik Rashmawi.

Al-Aqsa está localizada na Esplanada das Mesquitas e é o terceiro lugar mais sagrado do Islã. Logo abaixo, o Muro das Lamentações, conhecido como Monte do Templo pelos judeus, é o local mais sagrado do Judaísmo.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zhori, considerou que o ataque desta sexta-feira foi "uma resposta natural ao terrorismo sionista e à profanação da mesquita de Al-Aqsa", em um comunicado publicado no site do Hamas.

"O status quo será preservado", garantiu Benjamin Netanyahu, na tentativa de tranquilizar os palestinos.

De acordo com um status quo em vigor há décadas, os judeus têm permissão para visitar a Esplanada, mas não de rezar no local.

Desde outubro de 2015, Israel e os Territórios Palestinos vivem uma onda de violência, que já matou 280 palestinos, 42 israelenses, dois americanos, dois jordanianos, um eritreu, um sudanês e uma britânica, segundo uma contagem da AFP.

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