CABUL

Ataque no Hotel Intercontinental de Cabul deixa várias vítimas

O mesmo hotel já havia sido atacado por militantes talibãs em 2011

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Publicado em 21/01/2018 às 8:45
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O mesmo hotel já havia sido atacado por militantes talibãs em 2011 - FOTO: Foto: AFP
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Ao menos quatro homens armados invadiram o Hotel Intercontinental de Cabul na noite desse sábado (20), atirando em hóspedes e funcionários e ateando fogo no prédio, informaram fontes oficiais, ao reportar um ataque que ainda está em andamento e que, segundo a imprensa afegã, teria deixado várias vítimas. 

Forças especiais foram levadas de helicóptero ao telhado do hotel de luxo durante o sítio, informou à AFP o porta-voz do Ministério do Interior, Nasrat Rahimi, que informou que dois atacantes foram mortos.

Não houve, até o momento, reivindicações de autoria deste que é o mais recente ataque na capital afegã, depois que uma série de alertas de segurança recomendaram nos últimos dias evitar hotéis e outros locais frequentados por estrangeiros. 

Desconhece-se quantas pessoas ainda estão no hotel, que já tinha sido atacado por militantes talibãs em 2011, ou se há estrangeiros entre elas.

"Quatro atacantes estão dentro do prédio", informou à AFP um funcionário da agência de espionagem Diretório Nacional de Segurança (DNS). 

Eles estão "atirando em hóspedes", afirmou. 

Um hóspede escondido em um quarto disse à AFP que conseguiu ouvir disparos dentro do hotel, construído sobre uma colina nos anos 1960, onde se hospedavam dezenas de pessoas que participariam no domingo de uma conferência sobre tecnologia. 

"Eu não sei se os atacantes estão dentro do hotel, mas eu posso ouvir disparos de algum lugar perto do primeiro andar", disse por telefone o homem, que não quis se identificar. 

"Estamos escondidos em nossos quartos. Imploro que as forças de segurança nos resgatem o mais rápido possível, antes que eles nos encontrem e nos matem", afirmou. 

Seu telefone estava desligado quando a AFP tentou contatá-lo de novo. Não se sabe até o momento quantas pessoas estão no hotel.

Rahimi informou que os atacantes levavam armas curtas e granadas propelidas por foguetes quando invadiram o hotel, que costuma sediar casamentos, conferências e encontros políticos. 

"Sete feridos foram levados ao hospital", informou à AFP o vice-ministro do Interior, Nasrat Rahimi, acrescentando que dois dos atacantes foram mortos. 

"Alguns outros hóspedes foram resgatados. Vamos poder divulgar números de vítimas assim que a operação terminar", acrescentou. 

Horas depois do início do ataque, os porta-vozes da segurança afegã teriam desligado os telefones celulares ou se se recusado a responder aos telefonemas da AFP para atualizar a situação. 

A imprensa afegã noticiou que o ataque teria deixado várias vítimas e ocorre dias depois da visita de uma delegação do Conselho de Segurança da ONU a Cabul. 

Mais cedo, Rahimi havia informado que o primeiro e o segundo pisos do hotel tinham sido liberados pelas forças de segurança, e que faltava liberar o quarto e o quinto andares. 

O quarto andar, que abriga restaurantes e uma piscina externa, foi incendiado durante a ação, informou o oficial do DNS. 

Segurança questionada

O último grande ataque contra um hotel de alto perfil em Cabul ocorreu em março de 2014, quando quatro adolescentes armados invadiram o Serena, matando nove pessoas, inclusive um jornalista da AFP.

O Intercontinental já tinha sido alvo de um ataque em junho de 2011, quando um atentado suicida reivindicado pelos talibãs matou 21 pessoas, entre as quais 10 civis.

Mesmo antes do fim do ataque deste sábado, as autoridades começaram a questionar como os atacantes passaram pela segurança do hotel, que foi assumida por uma empresa privada duas semanas atrás, disse à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Najib Danish.

"Provavelmente, usaram uma porta dos fundos na cozinha para entrar", acrescentou. 

Abdullah Sabet, funcionário no ministério da Comunicação e da Tecnologia da Informação, disse que funcionários de TI de todo o país estavam hospedados no hotel para participar de uma conferência que ocorreria no domingo. 

"Havia 40 deles no hotel. Não sabemos se algum deles foi morto ou ferido", afirmou Sabet. 

A segurança no Intercontinental, que não faz parte da rede global InterContinental, é relativamente frouxa em comparação com outros hotéis de luxo em Cabul. 

O local sediou uma conferência de relações sino-afegãs mais cedo neste sábado, da qual participou o conselheiro político da embaixada chinesa, Zhang Zhixin. 

Um jornalista da AFP que participou da conferência passou por dois controles de veículo. Na entrada do prédio, houve uma inspeção física que poderia ter sido facilmente evitada, escalando uma barreira baixa e entrando no lobby. 

Alertas de segurança enviados nos últimos dias a estrangeiros que vivem em Cabul avisavam que "grupos extremistas podem estar planejando um ataque contra hotéis em Cabul", bem como contra aglomerações públicas e outros locais, "onde se sabe que estrangeiros se reúnem". 

Em junho de 2011, o Intercontinental foi alvo de um atentado suicida reivindicado pelos talibãs, que matou 21 pessoas, inclusive 10 civis. 

A segurança em Cabul tem sido intensificada desde 31 de maio passado, quando um maciço ataque com um caminhão-bomba na quadra diplomática da capital afegã, deixou 150 mortos e cerca de 400 feridos, a maioria civis. Nenhum grupo reivindicou este ataque até hoje. 

O grupo Estado Islâmico tem assumido a autoria da maior parte dos atentados na capital afegã, mas autoridades suspeitam que a rede Haqqani, afiliada ao Talibã, possa estar envolvida em alguns deles. 

O mais mortal dos ataques mais recentes ocorreu contra um centro cultural xiita em 29 de dezembro, quando um suicida se explodiu, matando mais de 40 pessoas. 

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