K-POP

As boy bands estão de volta nos passinhos da Coreia

Grupos voltam a ser tendência entre os jovens com um empurrãozinho da cultura pop coreana

Alef Pontes
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Alef Pontes
Publicado em 08/09/2014 às 15:11
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Sucesso nos anos 1990, a partir de grupos como Backstreet Boys, Spice Girls e N’Sync, e depois nos anos 2000, com os nativos da Rouge e Br’Oz, as boy e girl bands sempre fizeram a cabeça de crianças e adolescentes e – apesar de a média de duração delas ser baixa – mostram que o estilo é capaz de se reinventar e continuar em alta. Agora, as ruas e parques do Recife estão sendo tomados, mais uma vez, por jovens que ensaiam os passinhos dos ídolos. A diferença está no fato de que, diferentemente das influências americanas e até brasileiras das décadas anteriores, são os artistas coreanos que embalam as coreografias da vez.

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
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Influenciados pelo rico cenário da música pop produzida na Coreia do Sul – o K-Pop –, onde o estilo está em alta, com grupos como o Super Junior e U-Kiss, cada vez mais, adolescentes têm se unido para formar boy bands. Um exemplo é o NK Project, formado por 12 jovens, de 18 a 25 anos. "Os grupos coreanos produzem músicas com videoclipes demonstrando situações através da coreografia e do conceito estético, e a gente, enquanto cover, tenta pegar todos esses detalhes e fazer algo o mais fiel possível", explica João Victor, um dos integrantes do grupo.

"O NK Project é um grupo misto, formado por seis meninos e seis meninas. Dentro dele a gente criou uma subunit, que é um grupo dentro do grupo, formado só por meninas", apresenta a dançarina Júlia Maia. Segundo Victor Venâncio, também integrante do NK Project, todos já dançavam e eram integrantes de outras equipes, mas decidiram se juntar. "Todos nós já éramos amigos e tínhamos nossos próprios grupos, então resolvemos nos juntar para fazer um grupo de amigos que ainda não tinham dançado junto." 

Apesar de parecer brincadeira de adolescentes, os praticantes do K-Pop seguem uma rotina regrada de treinos para alcançar a sincronia nos passos. "A gente ensaia uma vez por semana e, quando é necessário dar uma reforçada ou quando alguém está com dificuldades, ensaiamos mais", explica Júlia. Os lugares prediletos para os treinos são os ambientes ao ar livre, como os parques da Jaqueira e Sítio da Trindade, devido ao espaço e tranquilidade. "O Dona Lindu também é um lugar no qual as pessoas ensaiam muito, por conta do vidro que reflete e facilita a prática," revela Eliana Manso, também integrante do Hachi Machine, referindo-se à parede de vidro da Galeria Janete Costa, localizada no parque.

O investimento não fica apenas nos treinos. Para as apresentações, que geralmente acontecem em eventos pontuais da cultura oriental, como o SuperCon, Anima Recife e Omakê, além de muito suor para deixar o bailado afinadíssimo, eles precisam preparar outra parte importante para as exibições: os figurinos. E este quesito pode acabar pesando um pouco mais. "A parte estética é muito importante para os grupos de K-Pop. Além dos passos, precisamos ter os figurinos ideais, que podem variar de acordo com as apresentações. Eu mesmo já cheguei a gastar cerca de R$ 350 com figurino", revela Victor. Mas, apesar do gasto e do esforço, os meninos têm em mente o que mais importa: "O K-Pop é um hobby. A gente faz o que a gente gosta, que é dançar. Para nós é, principalmente, um momento de descontração entre amigos", conta Julia Maia.

COMPETIÇÕES

O reconhecimento do esforço vem, além do próprio prazer na dança, como contam os praticantes, através da interação virtual, com compartilhamentos de vídeos nas redes sociais e a troca de ideias com outros grupos, e pelas competições.

Organizador de eventos de referência da cultura pop e oriental no Recife, como o Omakê e Fênix Festival, Pedro Figueiredo foi o realizador da primeira competição de K-Pop na cidade, em 2011. Para ele, esse crescimento exponencial do gênero é um caminho natural da cultura pop. "A gente sempre tem fenômenos musicais muitos fortes que independem da geografia. E o K-Pop foi uma coisa que despontou no mundo todo, não só no Brasil. Isso se deve ao próprio apelo da música, com ritmos e coreografias mais animadas", pontua.

E foi justamente de olho nesta tendência que decidiu criar a primeira competição, durante o Omakê de 2011. "Quando eu criei a competição, participaram apenas quatro dançarinos em apresentações solos, hoje eu recebo cerca de 50 inscrições de grupos por evento", afirma, lembrando que, para estas competições específicas, os integrantes não podem participar de mais de um grupo. 

"Na realidade, para eles, é tudo um grande hobby. Eles já ensaiam naturalmente, independente de competições. E as disputas surgem como uma espécie de estímulo para esse público: eles acabam se empolgando mais ainda e valorizando a dança. Há muitos jovens que começaram com o hobby e passaram a ser bailarinos profissionais e estudar dança", conta. E, para dar esse incentivo, a coisa toda é levada ao nível profissional. Nessas competições, entre os critérios avaliados por um júri formado por profissionais da dança e especialista em cultura pop estão dificuldade do movimento, sincronia do grupo, figurino, expressão artística, aproveitamento do palco, entre outros. Já as premiações podem variar: de discos dos artistas coreanos, que são difíceis de encontrar no Brasil e precisam ser importados, a valores em dinheiro que podem chegar à R$ 1.500.

Ele lembra, ainda, que no dia 27 de setembro o Recife recebe a primeira edição do Festival da Cultura Coreana, no Clube Internacional, com entrada gratuita. O evento, promovido pela comunidade coreana, conta com demonstração da culinária típica, exibição das tradicionais novelas, apresentação de Tae-kwon-do, além da apresentação e competições de grupos de K-Pop.

ALCANCE

Em Pernambuco, a disseminação da cultura coreana através dos grupos de K-Pop não se restringe apenas à Região Metropolitana do Recife. No último fim de semana, cerca de 1600 moradores de Petrolina, assim como de Juazeiro, na Bahia, puderam conferir e participar de apresentações de K-Pop durante o Power Kon. Segundo Kelmer Luciano, organizador do evento, há na região um público consumidor da cultura pop oriental muito grande e, ao mesmo tempo, carente de atividades do gênero. "Esse fenômeno deixou de ser exclusivo das capitais e tem se espalhado cada vez mais pelas cidades do interior, com cada vez mais grupos participando, sem deixar nada a desejar em relação a cidades maiores como Recife e São Paulo", afirma.

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